Escola “o bombo da festa”

Escola “O bombo da festa”

Um leitor da minha carta com o título “Violência” manifestou a sua discordância referindo que a escola não pode substituir a família na educação dos jovens. Já hoje e no futuro cada vez mais a escola terá de substituir a família na educação dos jovens pela simples razão que cada vez mais cedo, ainda bebés, não são os pais nem os avós quem com eles mais tempo convive mas educadoras de infância, professores e o restante pessoal de creches e escolas, e basta reparar na aflição dos pais quando chegam as férias escolares para conseguir arranjar quem cuide dos filhos. A minha carta não se referia à educação formal necessária à convivência social quotidiana entre cidadãos que efetivamente deveríamos todos adquirir no seio familiar, mas que infelizmente nos dias de hoje nem essa está assegurada. Foquei diversos aspetos de violência nomeadamente a proveniente da própria família, impondo-se questionar como é que uma família disfuncional onde impera a violência pode educar para a não violência. A violência é a antítese da convivência democrática pelo que antes de mais é preciso ensinar aos nossos jovens o que é a democracia por contraponto a ditadura, como é viver em democracia e o que seria viver em ditadura, o que são comportamentos democráticos por contraponto a comportamentos antidemocráticos, o que significa liberdade responsabilidade e autoridade democráticas por contraponto ao espezinhamento da liberdade por tiranias e autoritarismos antidemocráticos. A democracia e a liberdade só estarão asseguradas se as cultivarmos e a sua sementeira privilegiada deveria ser entre a juventude e a escola um verdadeiro laboratório de práticas democráticas entre todos os que lá convivem. O investimento na formação de professores e outros quadros seria altamente retributivo para a qualidade da nossa democracia, numa escola focada não só no ensino das disciplinas tradicionais mas também em formar os jovens para exercerem uma cidadania responsável e democrática.