Assim se constrói uma banda de sonhos, veja o vídeo

‘CalliJazz’ fez um brilharete na cerimónia de entrega de troféus e diplomas de ‘Mérito Escolar’ da Escola Básica 123/PE Bartolomeu Perestrelo e está em destaque no ‘Afectivamente’ da D7 desta semana

12 Mar 2019 / 10:00 H.

Pais, alunos, professores, governantes, jornalistas... a dada altura já todos fomos convidados a participar em cerimónias escolares, onde habitualmente há um ou mais momentos musicais proporcionados pelos mais novos. Está a pensar naquela flauta desafinada ou no coro de vozinhas estridentes que nunca mais acaba? Não foi isso aconteceu no passado dia 27 de Fevereiro, na Escola Básica 123/PE Bartolomeu Perestrelo.

Chamam-se ‘CalliJazz’, uma banda improvisada que fez um brilharete ao interpretar ‘Stand By Me’, de Ben E King, e ‘Hotel California’, dos Eagles, na cerimónia de entrega de troféus e diplomas de ‘Mérito Escolar’ daquela escola.

A actuação fez tanto sucesso que Miguel Albuquerque, entre os presentes, manifestou o seu agrado, lançando-lhes um repto. “Parabéns à banda, tocam muito bem. As meninas tem uma voz belíssima. Já têm baixista? Não? Então vou fazer-vos um desafio: arranjem um baixista, preparem 12 a 15 músicas e, em Dezembro, estão convidados para actuar na Avenida Arriaga e representar a vossa escola nas comemorações de Natal”.

A boa nova foi recebida com risos e palmas e a cerimónia até teve direito a ‘encore’, com o presidente do Governo Regional a sentar-se ao piano para acompanhar a banda no ‘bis’ de ‘Stand By Me’.

No final, a D7 esteve nos ‘bastidores’ para conhecer os protagonistas deste surpreendente momento musical.

A Marta é a vocalista, acompanhada pela Gabriela, a Maria e a Joana (Rodrigues) também na voz; o Nuno é o baterista, o Francisco a guitarra e os irmãos Vicente e Mateus a percussão; a Joana Jó (e a Gabriela) tocam violino; a Diana toca clarinete e o Francisco o bandolim; a (outra) Joana toca o piano.

São 12 pequenos grandes talentos e foram ‘descobertos’ pela professora Cecília Atanásio, a quem coube tratar da animação na recepção aos pais, alunos premiados e entidades convidadas.

“Fiz o levantamento dos alunos que estavam no Conservatório, falei com eles e eles próprios quiseram colaborar. Não foi obrigatório. Juntei-os, ensaiámos e saiu isto”, expõe com simplicidade a docente, que em apenas duas semanas de ensaios conseguiu criar uma verdadeira banda a partir de um conjunto de alunos que mal se conheciam, já que são de turmas (maioritariamente de 9.º ano) diferentes.

As novas tecnologias ajudaram e, após um primeiro encontro promovido pela professora Cecília, o grupo passou a comunicar através do WhatsApp.

Despachada, a clarinetista Diana conta como se processou a escolha das músicas que iriam tocar na apresentação. “A professora perguntou-nos músicas que dessem para voz e clarinete e fomos fazendo arranjos com todos estes instrumentos. Inicialmente nem era para haver voz, mas depois chegamos à conclusão de que podíamos tentar fazer a quatro vozes... A professora foi pondo músicas no computador para ver quais é que davam e então chegamos ao acordo de tocarmos estas duas músicas. Apesar de eu não querer tocar esta [‘Stand By Me’] por causa do solo de clarinete ... Afinal correu bem” [risos].

Escolhidas as músicas, era preciso criar um nome. Foi então que, da junção de Califórnia (uma referência ao tema ‘Hotel California’) e do gosto de vários elementos da banda pelo Jazz, surgiu o nome ‘CaliJazz’.

Se para uns esta experiência de ‘palco’ não passou de uma brincadeira divertida, para outros, como é o caso do baterista Nuno, são os primeiros passos no caminho de um sonho. “Quero tentar seguir a música como carreira mesmo, não só como um hobby”, garante o jovem.

Quando se pergunta se o projecto tem pernas para andar, Cecília Atanásio, cautelosa, responde que “o mundo dá muitas voltas” e prefere não fazer planos a longo prazo. Ainda assim, admite uma próxima actuação da banda na Festa de Finalistas do nono ano.

Já Diana, entusiasmada passados os nervos do solo, acredita que “ia dar muito certo”. ‘Construir sonhos’ é o lema da Escola Bartolomeu Perestrelo e acabou de nascer mais um.

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