DNOTICIAS.PT
Artigos

O preço a pagar

Que preço é que pagarias? Pela tua vida, pelo teu futuro, pelo café que compras todos os dias, pelos teus amigos, férias, tudo. Que preço é que atribuis ao dinheiro? Isto é a base da literacia financeira, uma base que muitos, incluindo eu, não refletem sobre atualmente.

Literacia financeira vai muito além dos conceitos puramente teóricos, da definição de juros, créditos e finanças. Literacia financeira é saber gerir o dinheiro, posses e investimentos, para a nossa própria vida e para aquilo que pretendemos ter. Há, porém, necessidade de conhecermos estes conceitos: é importante as escolas incluírem nos seus currículos a disciplina de literacia financeira, mas, enquanto isso não acontece, também passa por cada um de tentar descobrir e ir fazendo as perguntas necessárias para a sua própria gestão.

O fator cultural não deve apenas ser ignorado: temos um medo enorme de que saibam o dinheiro que temos nas nossas contas, quanto é o nosso salário, o nosso IBAN para realizar uma transferência, mas não foi sempre assim. O conceito foi sendo moldado pelos fatores que nos rodeavam, desde a religião aos valores incentivados durante a revolução industrial, por exemplo.

Também criamos a ideia de que apenas os mais ricos devem ter literacia financeira, o que não podia ter estado mais errado. Quanto menos temos, mais temos de gerir: escolher quanto queremos poupar a cada mês ou realmente sabermos quais são os nossos objetivos é importante independentemente do nível de rendimento. Apesar de saber o que fazer ser essencial, e a força de vontade também, nada é feito sem disciplina – todos temos o desejo de poupar, mas só alguns realmente encontram a determinação para tal. A determinação é o que nos leva mais longe, a não existência de um suporte que nos possa dar um plano B, sentir o risco na nossa pele, de perder ou ganhar tudo, a vontade de querer viajar não com o nosso dinheiro e sim com os frutos do seu investimento.

O mais bonito disto é que não se aplica só ao dinheiro, aplica-se à vida toda. No episódio desta semana do Peço a Palavra, o podcast da Académica da Madeira em parceria com a TSF Madeira, o empresário Bruno Tavares partilhou connosco os seus princípios: semearmos o que queremos e que pretendemos alcançar e escolhermos bem aquilo que permitimos que fique na nossa vida, desde objetos a pessoas. Aquilo que fica é um reflexo de quem somos, das nossas escolhas ou falta delas, vamos mesmo permitir que aquilo que nos faz mal continue?

Eu claramente não sou a pessoa com mais conhecimentos em economia: sonho em oferecer viagens à minha mãe com o primeiro salário, mal sei como tenciono poupar, a que apoios tenho direito ou até mesmo a definição correta de juros. Contudo, uma coisa é certa: tenho imensamente presente o valor que tenho a pagar pelos meus desejos e sonhos, é um preço que não me custa. Por isso mesmo, quando me perguntam que preço pagaria, a resposta é certa: pago tudo para ser feliz, e abdico de tudo o que for necessário para lá chegar.