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O Porto Santo merece

Tenho uma relação especial com o Porto Santo, confesso. Algo que se iniciou há muitos anos, primeiro como destino de eleição para férias, que continuo a procurar sempre que me é possível, depois ao longo da minha carreira profissional, tanto ao nível dos transportes aéreos e marítimos, como na hotelaria e, ainda hoje, enquanto político.

É terra que me diz muito, que também me moldou e permitiu ver e conhecer uma realidade diferente, com desafios e especificidades próprias, muitas vezes desvalorizadas por quem não a conhece.

Sempre fui um firme defensor do seu potencial muito para além da praia e dos meses de Verão. Continuo a acreditar que não devemos olhar e pensar o Porto Santo apenas em Agosto, esquecendo-o rapidamente até ao próximo período estival.

Hoje, quando discuto no Parlamento Europeu estratégias sobre as Regiões Ultraperiféricas ou o Direito a Ficar, sei exatamente o que isso representa para quem sofre de dupla insularidade e sazonalidade, sei o que é necessário para esbatermos dificuldades crónicas e promovermos uma verdadeira coesão territorial, económica e social. Porque tudo aquilo que o Porto Santo tem para oferecer necessita de estímulo, de apoio concreto e compromisso contínuo.

Não quero com isto dizer, no que respeita à União Europeia, que não houve atenção ao Porto Santo. Pelo contrário, existem inúmeros investimentos, passados e presentes, reveladores de um compromisso com a ilha e a sua população, nas mais diversas áreas. A Unidade local de Saúde, o navio Lobo Marinho, o projeto de armazenamento de energia com baterias, a unidade nº2 da central dessalinizadora, a Escola básica e secundária Francisco Freitas Branco, a remodelação do Lar de 3ª idade da Fundação Nossa Senhora da Piedade, o redimensionamento da Escola bárica do 1º ciclo do Campo de Baixo, a melhoria de infraestruturas e condições de operacionalidade do Porto do Porto Santo ou o projeto Life Dunas, são disso exemplo.

Mas é sempre possível fazer mais e melhor, sem esquecer que nenhum investimento fará sentido se não servir as pessoas, se não criar oportunidades, em particular para as futuras gerações. De nada serve investir em educação, saúde ou mobilidade, se isso não permitir que os jovens do Porto Santo, ali possam permanecer ou regressar após os estudos, criar o seu próprio negócio ou constituir família.

No passado dia 7 de Agosto, tive a oportunidade de levar até ao Porto Santo a exposição “A Madeira e a União Europeia” que irá percorrer todos os concelhos da Região. Mas esse dia ficou também marcado pelas comemorações do 30º Dia da Cidade do Porto Santo, nas quais tive uma enorme honra em estar presente. Nesse momento especial, fiquei particularmente sensibilizado com as intervenções de dois jovens portosantenses que, tendo saído da ilha para estudar, regressaram para fazer carreira na sua terra, junto dos seus, contrariando a ideia de que é uma fatalidade concluir uma licenciatura e depois ter de construir a vida longe de casa.

Os exemplos da Alice Brito e do Alexandre Ornelas devem inspirar-nos para continuar a trabalhar e criar condições para que os jovens se fixem, com oportunidades no Porto Santo.

Eu continuo a acreditar e tudo farei para que assim seja, porque o Porto Santo merece.