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Novo ano académico

O mês de agosto caracteriza-se comummente por ser uma espécie de intervalo na azáfama laboral. Não para todos, mas para parte da população que está, por exemplo, dependente de calendários escolares.

No ensino superior este intervalo serve também para recuperar o tempo de dedicação a projetos pessoais ou institucionais. É, ainda, o tempo para garantir o reinício das atividades letivas, de investigação e desenvolvimento, de internacionalização e de serviço à sociedade. É, em particular, o tempo de conclusão dos projetos financiados pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), no qual se inclui o importante plano de construção e renovação de residências universitárias. É, por maioria de razão, o tempo de divulgação dos resultados do Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior (CNA).

No ano passado, as instituições de ensino superior (IES) foram surpreendidas com uma redução generalizada de ocupação de vagas, devida, em grande medida, às alterações das regras introduzidas neste concurso, que repuseram a exigência de os candidatos terem de efetuar mais exames para a habilitação de acesso ao ensino superior.

No presente ano, com a reposição de parte fundamental das regras que vigoraram entre 2020 e 2024, prevê-se um aumento de candidatos ao ensino superior. Na prática, acredito que este cenário venha a compensar a quebra registada no ano passado, que afetou, de forma diferenciada, as várias IES. As instituições que se encontram sediadas nos grandes centros urbanos não sofreram os mesmos efeitos, sobretudo devido às vantagens que a sua localização lhes confere no contexto do sistema. Tendem, por isso, a considerar que a exigência de menos exames de acesso ao ensino superior constitui um fator de desvalorização do rigor que deve presidir a esta fase de transição entre ciclos de ensino.

Não existem, porém, dados suficientemente consolidados que permitam concluir que os estudantes que entraram no ensino superior, por via das regras vigentes no período entre 2020 e 2024, tenham comprometido, de forma geral, a qualidade do ensino superior português. É necessário proceder a avaliações exigentes sobre o sucesso académico alcançado por esses estudantes.

Aos estudantes que ingressarão neste ano no ensino superior endereço uma calorosa mensagem de boas-vindas. Espera-os uma realidade assaz diferente da anteriormente vivida. Uma realidade sobretudo orientada para a aquisição de competências formais e informais, que lhes permitirão aceder a uma vida profissional condizente com as suas expetativas.

A todos desejo os maiores sucessos. Os que escolheram ou venham a preferir a Universidade da Madeira irão usufruir de um ambiente académico de qualidade, desafiante e integrador.