O melhor Espumante Português é Madeirense
Uma região que não tinha tradição em espumantes, ganha o prémio do melhor Espumante Português
Em 2016 foi lançado o primeiro espumante madeirense para comemorar os meus cinquenta anos de casado com a mesma mulher, feito em 2014 e acabado no ano do seu lançamento. Foi um sucesso no que se refere à qualidade e como não estávamos satisfeitos deixamos passar mais um ano, prolongando assim o seu estágio em garrafa. Tínhamos tido a promessa da então Presidente do Instituto do Vinho e Bordado da Madeira que seria montado na adega de São Vicente o equipamento necessário ao seu acabamento, mas por razões que desconhecemos a Secretaria Regional da Agricultura não dotou aquele Instituto do orçamento necessário, para apoiar o lançamento de um produto que era novidade na Região. Não sabemos se foi por boicote, ou não, daquele membro do Governo ou até mesmo do próprio Governo, o dito equipamento nunca apareceu. Sabemos apenas que o Instituto não tinha verba. Eram necessários vários milhares de euros e como não somos pessoa de desistir à primeira contrariedade, fizemos um grande esforço financeiro e compramos o que era necessário e o restante foi e continua a ser feito manualmente, o que, de certa forma valoriza o produto.
A qualidade atingiu aquilo que sonháramos e em 2018 enviamos para um concurso de espumantes e à primeira ganhamos uma medalha de ouro, o que provocou uma certa admiração no próprio concurso quando descobriram que era um produto madeirense, sem tradição nessa área e daí para cá foi um somar de prémios, incluindo uma medalha de ouro no Concurso Mundial de Bruxelas. Em dez anos ganhamos um total de quinze medalhas, sendo quatro de prata, nove de ouro e duas de grande ouro ou de prestígio.
Habituamo-nos a isso, ou seja a ganhar prémios, mas o melhor ainda estava para vir com o nosso constante estudo e melhoramento do Espumante. Mantivemos a receita inicial, mas fizemos outros ensaios até conseguirmos a excelência. Este ano, no concurso internacional Brut Experience ganhamos a segunda medalha de prestígio com uma classificação de 97 pontos em 100 possíveis. Foi o valor mais alto que alguma vez se verificou neste concurso desde que existe há nove anos. Como diz a minha filha Sofia, o meu braço direito, ficamos em primeiríssimo lugar. Tudo isto já foi publicado na comunicação social, dando maior relevância o Diário de Notícias do Funchal. Centenas de pessoas felicitaram-nos nas redes sociais, mas não ouvimos uma única do Governo Regional, que nunca nos apoiou. Levamos longe o nome da Madeira, principalmente por todo o continente. Uma região que não tinha tradição em espumantes, ganha o prémio do melhor Espumante Português. Foi, sem dúvida uma grande honra para mim e para a empresa da qual sou sócio, juntamente com a minha mulher, Maria Júlia e os filhos: Sofia, o meu braço direito, a Filipa e o Duarte e entretanto começa a surgir outro nome, o do Henrique, o meu neto mais velho, que já tem o curso de Enologia e está a acabar Agronomia que, também já colabora, enquanto estagiou na Adega de São Vicente e durante as férias. Temos garantia de continuidade com três gerações.
Devido à minha idade, mas com cabeça fresca, continuo a colaborar, juntamente com a família neste projecto dos Vinhos Terras do Avô, como por exemplo, escolhendo as melhores uvas, maduras, sem mácula, para que o produto final seja de excelência. Ainda este ano lançaremos um novo espumante de 2017/2026, para comemorar as minhas bodas de diamante, sessenta anos de casados e digo-vos que a qualidade não é inferior antes pelo contrário, talvez esteja ainda melhor, que será anunciado na altura própria.
Tenho oitenta e quatro anos de idade, e doze anos a produzir espumantes e sinto um enorme orgulho na minha carreira de Engenheiro Técnico Agrário, tive uma vida de 64 anos muito cheia, com experiências inéditas, com apoio gratuito a muitos agricultores e agora sinto-me muito feliz pelo reconhecimento do público, com o reconhecimento da Ordem dos Engenheiros Técnicos que já me condecorou com três medalhas e uma placa de prata (Por uma profissão de Excelência). É o reconhecimento dos meus pares, daqueles que sabem o que eu sei e o que eu fiz. Sinto-me lisonjeado e quero agradecer em primeiro lugar a toda a minha família, à comunicação social, ao público em geral e principalmente à minha Ordem, com a promessa de que continuarei a fazer o melhor possível para bem da nossa agricultura, para bem da Madeira.