PM diz que governar significa "reformar sem medo" e critica "alianças descaradas" PS/Chega
O primeiro-ministro defendeu hoje que governar significa "reformar sem medo", embora com "moderação que a mudança exige", e criticou o que classificou como "alianças descaradas" entre PS e Chega, pedindo que se "desprendam dos seus umbigos políticos".
Na intervenção de abertura no debate parlamentar do estado da nação, Luís Montenegro nunca se referiu diretamente aos problemas registados na correção dos exames nacionais, nem deixou qualquer novo anúncio, fazendo um balanço de meia hora da governação nos últimos dois anos e três meses.
"Para prestarmos contas, é útil recordar o ponto de onde partimos, porque neste caso há quem não tenha direito ao esquecimento", afirmou.
Por um lado, disse, "não tem direito ao esquecimento quem agora exige aos outros, e para ontem, o que ele próprio não foi capaz de fazer em oito anos", numa referência ao PS.
"E também não tem direito ao esquecimento quem criticou as políticas do passado e agora vive de alianças descaradas nesta Assembleia com os protagonistas desse passado, desejando que no essencial nada mude e tudo fique na mesma", afirmou, num recado ao Chega.
Mesmo no final da sua intervenção, Montenegro voltou a defender a vocação reformista do Governo PSD/CDS-PP que lidera, embora introduzindo a necessidade de o fazer com moderação.
"Governar significa reformar sem medo, mas com a moderação e o sentido de responsabilidade que a mudança exige", afirmou, sem explicitar a que se referia.
Para o primeiro-ministro, "governar significa proteger o interesse nacional, mesmo quando a decisão não agrada a todos, mas constitui a melhor opção para o futuro".
Nessa fase final, deixou uma espécie de apelo aos dois maiores partidos de oposição, lembrando o que foi possível aprovar com PS e Chega.
"Quando as oposições se conseguem desprender dos seus umbigos políticos e da arrogância e intransigência das suas posições, é possível estarmos juntos a bem de Portugal", defendeu, dizendo que não é necessário nenhum partido perder a sua identidade.
Montenegro considerou que tal aconteceu quando o PS viabilizou orçamentos, a localização do novo aeroporto, a reforma do Tribunal de Contas ou a prestação social única.
"Aconteceu com o Chega no IRC, na imigração, nos incentivos fiscais ao arrendamento. Isto é a democracia a funcionar. Isto é o exercício da responsabilidade política, isto é a salvaguarda do interesse nacional que devia nortear sempre todos os partidos políticos com representação nesta Câmara", sustentou.