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Madeira

“Uma coisa é dizer que se vai fazer, outra coisa é fazer"

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Foto  Hélder Santos/Aspress

À entrada para o Auditório da Reitoria da Universidade da Madeira, Isaltino Morais recusou dar "lições" à Região, mas não poupou nas críticas à gestão política nacional e local. 
Confrontado com as necessidades do arquipélago, o autarca de Oeiras lembrou que o Funchal "precisa de cerca de 4.000 casas" e o país de 300.000, deixando um aviso claro de que o imobilismo não resolve o problema das famílias.

Para Isaltino Morais, todas as medidas aprovadas nos últimos tempos "não passam de paliativos", incluindo as alterações fiscais, a descida do IVA ou as revisões da lei do arrendamento. 
“A última alteração à lei das rendas é muito boa para os senhorios. O que está correcto, porque os senhorios não têm de fazer acção social nem combater a pobreza, isso compete ao Estado", asseverou, insistindo que a verdadeira solução passa por colocar escavadoras no terreno.

O autarca queixou-se ainda de que os últimos governos, tanto do PSD como do PS, estão "reféns do politicamente correcto" e de "gurus da habitação que nunca construíram uma casa". 
Isaltino Morais rejeitou qualquer incompatibilidade entre a construção e a defesa do ambiente: "Andamos a enganar-nos uns aos outros. Eu tenho algumas [casas] vagas em Trás-os-Montes, mas os extremistas da esquerda não querem ir para lá", atirou, em tom irónico.Apresentando Oeiras como o município que, actualmente, "constrói mais habitação pública nova do que o resto do país" — com 700 fogos praticamente concluídos de uma meta necessária de 3.000 —, o edil confrontou os números nacionais com a realidade europeia. "Portugal tem 2% de habitação pública. A Espanha já tem 10%, a média europeia anda nos 25% a 30% e a Áustria tem 65%. Mas, por os vistos, eles é que são pobres e nós somos ricos", ironizou.

Questionado sobre o acesso da classe média a estes apoios, Isaltino Morais explicou que o conceito deve ser revisto e alargado.

O autarca adiantou que em Oeiras os cidadãos com rendimentos per capita entre os 1.800 e os 2.000 euros por mês já se podem candidatar aos programas municipais, onde a "renda acessível" varia entre os 400 e os 800 euros, distinguindo-a da "renda apoiada" (social), destinada às famílias mais carenciadas, que se fixa entre os 10 e os 350 euros.