No destino
Enquanto que o destino continua a somar prémios e a arranjar taxas para resolver problemas que quem manda criou por erros e omissões, no destino começa a notar-se crescente preocupação.
Com honrosas excepções, já agora para o Verão mas igualmente, dizem-me, para o Inverno seguinte começam a aparecer no mercado promoções, em virtude do que parece ser uma diminuição da procura, a que se junta um continuado crescimento da oferta.
Preocupante, talvez mais ainda, é o notório decréscimo do nível de satisfação dos que nos visitam, sobretudo daqueles que são nossos clientes habituais. “Isto já não é a mesma coisa”; “O trânsito é insuportável”; “O que fizeram ao mercado dos Lavradores”?”; “Não consigo encontrar um percurso recomendado sem milhares de pessoas”; são observações que agora ouvimos com uma frequência diária.
Se juntarmos a isto grupos de Facebook a cascar no destino e se analisarmos os níveis de satisfação em relação à hotelaria nos trip advisors da vida facilmente se conclui que já não são só meia dúzia os que alertam para o facto do rei ir nu, mesmo que o próprio continue a não dar por ela.
Isto da descida da satisfação na hotelaria também facilmente se explica e já por mais de uma vez Vos falei disso: - não é a mesma coisa o serviço prestado por pessoas qualificadas ou por outras, de outras origens, com hábitos e culturas diferentes, que por cá andam a fazer pela vida. E que tanto têm contribuído para aguentar este absurdo crescimento da oferta! Mas não é igual…
Aqui chegados, o que fazer é provavelmente a pergunta do milhão de dólares que todos estão a fazer. Até imagino alguns naquela lógica do: - lá está este numa de fazer diagnósticos, mas lá apresentar soluções, nicles, batatóides!
Confesso que tenho imensa vontade de me escudar na falta de caracteres para não dizer mais nada. E na verdade não me sobram muitos… Mas atrevo-me a sugerir que se comece a agir com os dados já disponíveis, que me parecem suficientes.
Os percursos recomendados, por exemplo, têm de ser geridos de uma outra forma, com forte condicionamento do acesso por viatura individual. Os pontos mais turísticos têm de ter, espalhados pela cidade, informação actualizada ao minuto sobre o número de pessoas que lá está e respectiva capacidade máxima.
Os transportes coletivos públicos têm de ser repensados para também servirem a comunidade flutuante. Tem de ser possível deslocarmo-nos por toda a ilha de autocarro! E quem nos visita por via marítima tem de pagar uma altíssima portagem pedestre para poder aceder à cidade, uma vez que de outra maneira não deixam cá rendimento nenhum.
Os trabalhadores da indústria têm de obter formação, no prazo máximo de um ano, sobre o destino, a cultura, os costumes e a língua, sob pena de não poderem permanecer nas empresas. Alguma noção da história também seria importante, mas talvez seja pedir demais.
Tenho mais, muito mais sugestões mas, para início de conversa, penso que chega. A continuar, se me apetecer, num próximo episódio, para não acharem que só critico…