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Madeira: Plataforma Atlântica de Indústrias Criativas

Durante demasiado tempo, a cultura e as indústrias criativas foram encaradas como um setor periférico. Algo importante, sim, mas frequentemente tratado como um complemento e não como um eixo estratégico de desenvolvimento.

Hoje sabemos que essa visão está ultrapassada.

Vivemos numa economia global onde o valor é cada vez mais gerado pela criatividade, pelo conhecimento, pela inovação, pela capacidade de contar histórias, de produzir conteúdos, de criar experiências e de transformar identidade cultural em valor económico, social e territorial.

As indústrias criativas já não são apenas cultura. São economia. São diplomacia. São inovação. São desenvolvimento.

E é precisamente neste contexto que a Madeira tem uma oportunidade histórica.

Durante séculos fomos uma plataforma atlântica de circulação de pessoas, mercadorias e conhecimento. A nossa posição geográfica colocou-nos no centro das grandes rotas do mundo.

Hoje, no século XXI, essa vocação pode assumir uma nova dimensão.

A Madeira pode afirmar-se como uma grande Plataforma Atlântica de Indústrias Criativas.

Uma plataforma onde se cruzam criadores, empreendedores, universidades, empresas, instituições culturais, investidores e comunidades provenientes da Europa, da África Atlântica, da Macaronésia, da América do Norte, da América Latina e dos países de língua portuguesa.

Uma plataforma de produção, experimentação e exportação de talento.

Uma plataforma onde a criatividade deixa de ser apenas expressão artística para se tornar também motor económico.

Porque quando falamos de indústrias criativas falamos de cinema, audiovisual, música, design, arquitetura, videojogos, comunicação digital, moda, artes performativas, património, literatura, produção de conteúdos, inteligência artificial aplicada à criatividade, economia digital e novas formas de criação cultural.

Falamos de um dos setores com maior potencial de crescimento global.

E se há território preparado para assumir esse papel, é a Madeira.

Temos estabilidade.

Temos qualidade de vida.

Temos capacidade tecnológica.

Temos uma identidade cultural forte.

Temos uma posição geográfica única.

E temos, acima de tudo, capital humano.

A verdadeira riqueza da Madeira não está apenas na sua paisagem. Está nas pessoas. Na sua capacidade de criar, inovar, adaptar-se e construir pontes.

Por isso, quando falamos de uma estratégia atlântica para as indústrias criativas, não estamos a falar apenas de cultura.

Estamos a falar de fixação de talento.

Estamos a falar de atração de investimento.

Estamos a falar de internacionalização.

Estamos a falar de diversificação económica.

Estamos a falar de futuro.

É também por isso que devemos abandonar definitivamente a ideia de que a cultura existe apenas para ser subsidiada.

O apoio público continuará a ser essencial para garantir acesso, democratização e igualdade de oportunidades.

Mas o objetivo não pode ser a dependência.

O objetivo deve ser a capacitação.

Criar condições para que os agentes culturais e criativos desenvolvam modelos sustentáveis, conquistem mercados, criem emprego, gerem riqueza e contribuam para o desenvolvimento coletivo.

A verdadeira ambição não deve ser ter mais projetos dependentes de apoios.

Deve ser ter mais projetos capazes de crescer, exportar e gerar impacto.

Ao longo destes doze anos de Cimeira Atlântica temos procurado defender exatamente esta visão.

Uma visão assente nas ligações entre os povos do Atlântico.

Uma visão que reconhece a importância da língua portuguesa como ativo estratégico global.

Uma visão que aproxima a Madeira da Macaronésia, da África Atlântica, das Américas e da Europa.

Uma visão que transforma a geografia em oportunidade.

Porque o Atlântico deixou de ser uma fronteira.

O Atlântico é hoje uma plataforma.

E a Madeira pode ser um dos seus principais nós criativos.

É essa a missão que nos mobiliza.

Criar uma nova geração de agentes de transformação.

Preparar líderes criativos.

Promover a circulação de conhecimento.

Gerar redes internacionais.

Construir pontes onde outros veem distâncias.

Acreditamos que a próxima década será decisiva.

Os territórios que conseguirem atrair talento, criatividade e inovação serão os territórios mais competitivos.

E a Madeira reúne condições únicas para ocupar esse espaço.

Não apenas como destino turístico.

Mas como destino criativo.

Como território de pensamento.

Como laboratório atlântico de inovação cultural.

Como plataforma internacional de indústrias criativas.

É esse o desafio.

E é por isso que continuamos aqui.

Com a mesma convicção.

Com a mesma determinação.

E com a certeza de que o futuro da Madeira também se constrói através da criatividade.

Porque foi pelo Atlântico que chegámos ao mundo.

E será novamente através do Atlântico que poderemos afirmar a Madeira como um dos grandes centros criativos do século XXI.