Compensa tirar um curso de ensino superior?
Um estudo recente da Fundação Francisco Manuel dos Santos (Ensino superior e emprego jovem em Portugal: tendências, resultados e comparações internacionais) apresenta dados e a avaliação de contextos que permitem obter uma visão sobre este importante tema. Os estudos que têm vindo a público não desmentem a tendência que aqui é afirmada: a posse de uma formação de ensino superior traz vantagens ao longo da vida profissional.
A percentagem de jovens portugueses, com idades entre os 25 e os 34 anos, diplomados no ensino superior, subiu de 11% para 43% nos últimos 25 anos (dados de 2024), aproximando-se da média europeia que se cifra em 44%, mas ainda distante de países como a Espanha (53%) e a Irlanda (65%).
O estudo conclui que a maioria dos diplomados obteve a licenciatura (58%), seguindo-se o mestrado (33%) e o doutoramento (3%). No índice de empregabilidade (fator decisivo para os jovens com formação de ensino superior), os detentores de grau de mestre têm taxas de emprego de 88%, após dois anos depois da obtenção do grau, e de 93%, após cinco anos. Nas licenciaturas esta taxa é de 75%, a dois anos, mas próxima da dos mestres, após cinco anos.
Outro dado relevante, embora não uniforme em todo o País nem na União Europeia (EU), é o do retorno do investimento que é feito numa formação de ensino superior. Neste aspeto, Portugal continua a estar à frente da média europeia. Por cada euro investido, o retorno é de 13,7€. Na UE é de 8,2€. Este cálculo, nem sempre fácil de obter e, não infrequentemente, passível de ser interpretado consoante circunstâncias que se relacionam com assimetrias de vária ordem, tem, todavia, a vantagem de apresentar a quem se candidata ao ensino superior um dado claro sobre o retorno que poderá vir a obter ao longo de uma vida contributiva. O custo-benefício é muito favorável.
Neste contexto, a formação especializada, as competências associadas aos diferentes graus ou diplomas de ensino superior e a necessária ligação entre formação académica e mercado de trabalho são, em regra, uma aliança potenciadora de qualidade e, consequentemente, de benefício pessoal, institucional, socioeconómico e cultural.
É, por isso, importante incentivar os jovens estudantes a apostarem na formação no ensino superior, tanto nos cursos conferentes de grau (licenciatura, mestrado, doutoramento) ou de diploma de ensino superior (cursos técnicos superiores profissionais – CTESP).
A sociedade necessita cada vez mais de renovar os seus quadros e de dar resposta às exigências do mercado de trabalho.
No caso específico da Universidade da Madeira, o cenário aqui traçado permite que seja considerada como uma escolha privilegiada para a formação de ensino superior.