Autocarros gratuitos na via rápida
Pode ser uma solução intercalar para o caos actual
A nossa Região tem diversos problemas de mobilidade. Todos nos causam constrangimentos no modo de vida e nível de conforto. Ainda assim é das áreas onde se realizaram mais investimentos nas diferentes soluções. Nenhum outro tema teve tantos projectos e obras. É escusado dar exemplos, por impossibilidade de a todos nomear.
Um deles é o acesso em automóvel, pela Via Rápida, à Cidade do Funchal a partir dos lados leste e oeste da Ilha da Madeira.
Sou melhor conhecedor da entrada no Funchal a leste a qual, desde manhã até cerca das dez e meia, está saturada.
Do lado oeste, a manhã é muito complicada, tanto como a tarde. Oiço que aos fins de semana a Ponta do Sol e Calheta são muito visitadas criando uma dificuldade adicional.
Estes são estrangulamentos para os quais terão de ser encontradas respostas. É lentidão em excesso.
Já escrevi anteriormente sobre este tema. Falei no comboio ou trem, na construção de novas faixas de circulação ou mesmo novas vias alternativas. Não deixo de sugerir que se realizem estudos para serem tomadas as melhores decisões. Não temos recursos financeiros para más soluções. As premissas e os factores que condicionam cada uma das alternativas envolve muito debate e ponderação.
Leva tempo a estudar e muito mais a resolver. Se houver dinheiro disponível. É ver o exemplo do nó da Cancela.
No entanto, não parece razoável manter o actual caos no trânsito da Via Rápida. As pessoas desesperam diariamente, sem vislumbrar tratamento do problema.
Parece eternizar-se. É alheamento geral.
Julgo que uma solução imediata possível é facilitando o uso dos transportes públicos, como forma de reduzir o trânsito.
Para que isso seja possível tem de haver atrativo motivador para escolha dessa opção.
Ser eficaz e gratuito deverão ser motivos suficientes para esta preferência.
Do Caniçal e da Calheta ao Funchal, sendo gratuitos, bons transportes públicos colectivos devem ser escolha da população.
Se o regresso tiver a mesma qualidade, com zonas de estacionamento ao longo dessa via, serão evidentes as vantagens em não procurar entrar diariamente com a sua viatura no Funchal.
Uma faixa de rodagem temporariamente exclusiva para transportes públicos (BUS) seria incentivo adicional a considerar.
Uma coisa seria garantido: muitas viaturas particulares ficariam estacionadas, ao longo das Vias Rápida e Expresso, junto aos pontos de “paragem” dos autocarros.
Menos carros na estrada de acesso à Cidade e nela estacionados. Sem ser necessário uma portagem extra para dissuasão de circulação na via antes chamada rápida.
Em Las Palmas, a gratuitidade dos transportes públicos reduziu o trânsito na cidade em trinta por cento. Menos viaturas, menos estacionamentos, menos poluição, menos insatisfação, menos protesto, menos descontentamento, etc. Mais tempo de vida útil! Mais poupança!
É uma sugestão. Pode não servir para nada. Vivemos numa terra que quem faz gosta de ser autor da solução. Ao contrário de mim, detestam copiar. Mesmo o que é bom e pode ajudar. Mas não deixo de sugerir!
Nacional sofreu demasiado
Um sofrimento inaceitável. Algo correu mal. Alguém não teve a competência exigida. O treinador afirmava que os jogadores não faziam o que ele exigia. Um comandante com as tropas fora de controle. Equipa sempre diferente da preferida dos adeptos. Uma nova equipa contratada para jogarem os mesmos do tempo da segunda Liga. Talvez uma vontade de mostrar que as aquisições não foram acertadas.
Ninguém acredita neste grupo profissional. O objectivo era andar nos calcanhares da Europa. Afinal, não largámos o precipício da descida e do playoff. A próxima época tem de ser diferente. Mais profissional, séria e bem sucedida. Temos dois objectivos a cumprir: não descer e ser a melhor equipa da Madeira. Para além disso o Nacional precisa crescer, o que não acontece. Era época para mais. Muito mais.
Temos de aumentar o número de adeptos no estádio. Todo o mundo sabe como se faz. E se não souber vai aprender. Ou simplesmente copiar.
Não há só uma SAD. Também há um Clube. Mais pequeno que a sua História. E que precisa ter quem se interesse por mais que a mera equipa de futebol.
De dentro transmitem a ideia que o Nacional terá o menor orçamento da 1.ª Liga. Curioso. Era preciso saber, trinta anos depois de estar nestas andanças, com apoio financeiro permanente do governo regional, porque tem o mais baixo orçamento. Porque será que não cresceu enquanto os demais concorrentes admitimos estarem melhor estruturados de um ponto de vista financeiro? É ver o Famalicão, Gil Vicente, Moreirense, Arouca, Estoril, Alverca e Rio Ave. O que eram eles quando o Nacional foi duas vezes quarto classificado na primeira Liga? Eram de segunda num habitual sobe e desce. Não tinham registo nem lhes davam qualquer crédito. Por sua vez nós passámos, em dezassete anos, de quarto para décimo quarto na Liga e estamos ouvindo os responsáveis lamentarem a falta de dinheiro. O que é má notícia!
Somos sempre os mesmos nacionalistas no estádio. Quer seja jogo de vida ou morte quer de cumprir calendário. Com os grandes somos menos que eles. A claque do Guimarães abafava o apoio caseiro ao Nacional.
São admiráveis os resultados desportivos de Rui Alves, enquanto timoneiro do Clube. Sempre acompanhado de Gustavo Rodrigues. O Nacional ultrapassou a sua dimensão histórica e deu alegrias infindas aos seus adeptos. Manteve a sua solvabilidade financeira o que é notável. Sentimos orgulho no Clube e esquecemos os problemas.
Mas o que nos estão a transmitir é de que podemos perder, em tempo próximo, o estatuto desportivo conquistado. Se cairmos muito dificilmente nos voltaremos a reerguer. Se continuarmos teimosamente isolados. Como às vezes nos sentimos na Choupana.
A equipa e o técnico para a próxima época é importante mas, verdadeiramente crucial, é realizar um novo ciclo de construção de uma nova SAD financeiramente robusta, ancorada em núcleo duro de accionistas capitalizados e mobilizados para o sucesso tanto financeiro como desportivo. Há que procurar reforços financeiros. Com tantos vice-presidentes seria possível fazer um “road show” por vários potenciais e interessantes possíveis parceiros apresentando e propondo um modelo de SAD a definir por nós.
Uma coisa é certa: não pode ser o presidente a fazer tudo. Não dá. Não é humanamente possível. É preciso incumbir outros de tarefas fundamentais.
De que serve sermos donos únicos de uma SAD cada vez mais frágil, sempre em agonia financeira, à espera do desastre final? Se é para sofrer até ao último jogo de cada época não parece aceitável. Nem é essa a matriz do futebol moderno. Das sociedades desportivas de sucesso. O Benfica e o Porto são sinais de decadência europeia. Mantêm modelos ultrapassados que apenas funcionam em Portugal. Rui Costa foi eleito, há menos de um ano, por quase cem mil sócios que já gritam pela sua demissão. Até o Real Madrid vive maus momentos.
Nota: Chucho Ramirez foi o Herói da época finda. Que belo ponta de lança. O que poderia ser numa equipa que bem jogasse para ele?
“Comentadeiros” da tv
É estúpido termos os nossos canais de “informação” televisivos com os mesmos “comentadeiros” a botar palavra sobre os mais diversos temas. Seja assunto nacional ou internacional; de guerra ou paz; na Europa, na América ou em África; de eleições presidenciais ou outras qualquer; sondagens de toda a origem; assuntos económicos, sociais ou crime; são “especialistas” de tudo e não pestanejam perante qualquer questão posta à discussão. Vão à IA e debitam sabedoria. Repetem todos o mesmo raciocínio. Claro!
Sempre a rir, como fazem os verdadeiros ignorantes.
Cómicos são os “pivots” a repetirem “para terminar”, “em trinta segundos”, “para fechar”, como se uma opinião se dê ao cronómetro. Vejo muita tv internacional e nunca ouvi igual disparate. É confrangedor ver a expressão dos mandados apressar as suas conclusões. Normalmente segue-se uma notícia sem qualquer interesse.
Aeroporto de Porto Santo
Acham mesmo que os franceses, que têm o melhor negócio do mundo, nos vão oferecer uma aerogare? Em vez de conversa da treta, se reclamam com razão, ameacem com o resgate da concessão. Deixem-se de contos do capuchinho encarnado.