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A política vale a pena

Frequentemente ouvimos nos nossos círculos que os jovens não querem saber de política e que se estão nas tintas para uma participação cívica ativa. Não podia discordar mais. Se há coisa que o meu trajeto no associativismo político me tem demonstrado é que não faltam jovens interessados, capacitados e disponíveis para, abnegadamente, estar na linha da frente pelas causas que tomam como suas.

Em primeiro lugar, há que ter presente que a porta de entrada para as estruturas juvenis partidárias surge não poucas vezes em registos informais e despolitizados. O primeiro contacto que tive com a JSD foi num torneio de PlayStation organizado pelo núcleo local da minha freguesia. Partilho este episódio pessoal por considerá-lo paradigmático da preponderância que a informalidade tem na captação de jovens para a participação política. Até esse dia nunca havia estado no meu horizonte o envolvimento político ativo e, seguramente, menos ainda com as responsabilidades públicas que hoje assumo. Assim, com esta base empírica, a primeira conclusão que lanço é a de que apesar de conferências e debates serem fundamentais numa estrutura de pensamento crítico como a minha, torna-se mais fácil chegar à sociedade civil jovem se houver também descontração e informalidade.

O segundo momento que mudou integralmente a minha perspetiva quanto à militância numa juventude partidária deu-se com a perceção de que, afinal, isto não é e está longe de ser só para politólogos, advogados e economistas. Julgo que a esmagadora maioria dos jovens tem – como eu tinha – essa conceção errada quanto àqueles que são os “requisitos” para fazer política. E diga-se, a bem da verdade, que muitas vezes são os próprios dirigentes destas estruturas os primeiros a induzir em erro quem está do lado de fora. Não é preciso usar fato e gravata, nem é necessário aparentar ter mais vinte anos para ser um jovem com vontade de contribuir para a vivência diária dos seus pares. Posto isto, a segunda conclusão que partilho é a de que as juventudes partidárias cumprirão melhor o seu papel quanto maior for a sua capacidade de abertura às diferentes faixas etárias da juventude e às múltiplas áreas de estudo e de conhecimento laboral. É nessa diversidade estudantil e profissional que reside o potencial para pensar fora da caixa e para ter impacto positivo em quem nos rodeia.

Bem sei que pode não ser um título popular, mas a política vale a pena. Pelas pessoas que ouvimos e ajudamos. Pelas relações que construímos. Pelas palavras que trocamos com quem não conheceríamos num outro contexto. Pelo legado positivo que um pequeno ato nosso pode fazer perdurar. Em política, façamos sempre um exercício interior de honestidade e tomemos sempre as decisões que, a cada momento, a nossa consciência ditar como as mais acertadas. É o que tenho procurado fazer. Porque, efetivamente, a política vale mesmo a pena.