Os municípios e a saúde pública
A melhor e mais eficaz ferramenta para combater essa mesma exorbitância orçamental, terá de ser, indubitavelmente, pela via da prevenção
A propósito da conferência sobre saúde, realizada há poucos dias no Funchal, no âmbito dos 50 anos da Autonomia, que contou com a presença e excelentes intervenções dos Profs. Doutores Sobrinho Simões e Adalberto Campos Fernandes, foi abordada a evolução da saúde durante os últimos cinquenta anos e sobretudo sobre os desafios e metas num futuro já próximo.
Como se sabe a medicina tem vindo a ser alvo de uma transformação profunda muito impulsionada pelo avanço tecnológico, nomeadamente no que toda à inteligência artificial e à robótica, duas áreas que estão a revolucionar a forma como os profissionais de saúde diagnosticam doenças, realizam cirurgias, acompanham pacientes e desenvolvem tratamentos. Apesar de todas estas novas ferramentas oferecerem mais precisão, eficiência e acessibilidade no diagnóstico e cuidados médicos, também levantam desafios no que toca por exemplo ao próprio custo dos cuidados de saúde cada vez mais direcionado e individualizado para cada doente.
E foi precisamente este um dos grandes desafios apontados. Evidentemente que não me incumbe tecer considerações científicas nesta área, mas a verdade é que a propósito do elevado orçamento que terá de ser redirecionado para a saúde nos próximos anos, referiu-se que a melhor e mais eficaz ferramenta para combater essa mesma exorbitância orçamental, terá de ser, indubitavelmente, pela via da prevenção.
Torna-se assim essencial, nesta caminhada, promover e incutir hábitos de vida e alimentação mais saudáveis. É preciso reforçar políticas de apoio social, de atividade física e cultural, essenciais ao bem-estar físico e emocional, numa sociedade cada vez mais exigente e cujas patologias do foro psicológico crescem ano após ano.
A este respeito as Câmaras Municipais através das suas próprias atribuições têm uma importante quota de responsabilidade no alcance e cumprimento de tais metas e objetivos.
No nosso caso, a Câmara Municipal da Calheta, e não obstante o longo caminho ainda por percorrer, de certa forma antecipou a sua atividade neste âmbito, investindo em diversas áreas e faixas etárias.
Refiro-me ao programa ginástica pelas freguesias que acolhe a população adulta, com aulas de exercício físico regulares;
- ao programa via ativa que ocupa as nossas crianças e jovens durante as férias de verão;
- à atividade ocupacional que cuida do estado físico e emocional dirigida aos maiores de sessenta e cinco anos levada a cabo nos doze centros sociais espalhados por todo o concelho;
- ao apoio à atividade física nas escolas com o apetrechamento contínuo de equipamentos desportivos aos alunos, transporte para as mais diversas deslocações incluindo às aulas de natação agora extensivas a todos os alunos do primeiro ciclo, que complementa o excelente trabalho que é feito pelos docentes nos diversos estabelecimentos de ensino do concelho;
- ao apoio às diversas associações e clubes e aos inúmeros eventos desportivos, fazendo chegar a prática das diversas modalidades a cada vez mais crianças e jovens.
Não se duvide que o caminho terá de ser por aqui, pois que o cuidado psicológico, emocional e social das nossas populações que se pratique hoje, evitará o gelo da precisão robótica de amanhã.