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Alta Tensão

O facto do partido de Francisco Sá Carneiro, do nosso partido, liderar, em simultâneo, o Governo da República e os Governos das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, asseguraria, em condições normais, a hegemonia necessária para que se pudesse, finalmente, cumprir Portugal em toda a sua extensão territorial, também num momento particularmente importante para a Europa que, no atual quadro internacional, tem de se assumir para além da mera crença histórica na paz, no respeito mútuo, pelas instituições e pelo direito internacional. Precisamos de lideranças competentes, de carisma, de carácter e de coragem, que nascem nos estados-membros e que devem ter a capacidade de antecipar leituras que permitam políticas incisivas de sustentabilidade e de redução de dependências que façam do bloco europeu uma verdadeira potência no mundo, para além daquele “parlapié” quase infantil de quem se passeia em Bruxelas no meio de mordomias inconsequentes.

A verdade é que, em Portugal, as coisas não correm como se esperava. Não estamos a aproveitar uma oportunidade de ouro para reformar o país e para o cumprir verdadeiramente. A Governação da República ainda não se conseguiu libertar daquela teia de tecnocratas de visão curta e sem horizonte que castra a governação política e que apenas adia o país. São particularmente graves e preocupantes as desconsiderações para com as Regiões Autónomas que têm reagido com força e com firmeza. Não poderia ser de outra maneira. Um Estado que não se cumpre a si próprio e que não cumpre com todo o seu povo, nunca poderá ser grande e harmonioso. Uma Governação que não cumpre e torna atual a sua própria Constituição, perde credibilidade e identidade. E a Madeira e os Madeirenses nunca se calarão perante o incumprimento insensível e irresponsável, perante a falta de compromisso e perante a injustiça.

Não é, pois, de estranhar que o partido que lidera a Região há 50 anos tenha, também no seu recente Congresso Regional, assumido posições muito duras contra a Governação da República e contra o próprio PSD nacional. É isto que nos distingue e é por isto que os madeirenses continuam a confiar no PSD Madeira. Porque nunca hesitamos quando se trata de defender os interesses da Madeira e os direitos dos madeirenses. Não permitiremos que nos tratem apenas como um encargo, porque não o somos. Exigimos respeito.

Não é uma posição de rutura, mas sim uma posição de responsabilidade e de sentido de Estado que não pode deixar de ser tida em consideração pelo partido a nível nacional. Manteremos a disponibilidade para o diálogo e para a diplomacia. Ainda vamos a tempo de retomar o caminho certo, começando já por resolver definitivamente as questões relacionadas com a mobilidade aérea e a continuidade territorial.

A Madeira dá muito a Portugal e o PSD Madeira tem dado muito ao partido nacional e ao país. Por tudo o que temos mostrado em termos de governação, e pela qualidade e competência dos nossos quadros, não compreendo que não tenhamos madeirenses a exercer as mais altas responsabilidades de governação na República. Seria justo e importante, também porque sabemos que só assim se poderá verdadeiramente pôr fim ao tal “ancestral pendor centralista”. O PSD tem de saber ultrapassar rapidamente este período de alta tensão. Pela Madeira, por Portugal, pela nossa história, pelo nosso povo e por tudo o que queremos para a nossa pátria. E não percamos tempo em fóruns colaterais de pequenos partidos que procuram desesperadamente apropriar-se da nossa história na construção da autonomia. Esses não têm a força do compromisso e não têm respeito pelas instituições. Nunca serão nossos aliados. São apenas oportunistas revoltados que usam pequenas vaidades moribundas para tentar dar algum polimento ao populismo e à demagogia com que se movem. Não tenhamos ilusões, só o PSD pode vencer esta batalha.