A mobilidade como eixo de pertença
Queremos criar um espaço urbano que possa ser usufruído, e que possa gerar uma dinâmica social e económica
Quando falamos de mobilidade, o conceito surge, não raras vezes, associado a fluidez nas ligações e no trânsito.
No entanto, no paradigma das cidades do futuro, a mobilidade estará cada vez mais ligada a áreas vedadas ao trânsito, com usufruto pedonal e com uma vivência mais próxima do território nas suas experiências sociais e culturais.
Esta ligação entre caminhar, vivenciar e criar laços com o território foi amplamente defendida pelo professor e filósofo George Steiner, o qual, no livro “A Ideia de Europa”, colocou a escala humana das cidades como eixo da construção de uma identidade, defendendo que os percursos pedestres, as paisagens moldadas para a experiência humana são essenciais para que a cultura e história das cidades e vilas sejam vivenciadas de forma direta.
O Município de Santa Cruz, através da sua presidente Élia Ascensão, esteve presente no IV Congresso Cidades e Vilas que Caminham, que decorreu no Porto sob o lema ‘Caminhar é pertencer’, e que propunha precisamente uma reflexão sobre o papel do caminhar enquanto prática estruturante da vida urbana, da coesão social e da inclusão territorial.
Brevemente será assinado um protocolo de adesão à Rede de Cidades e Vilas que Caminham, entre o Instituto de Cidades e Vilas com Mobilidade e o Município de Santa Cruz.
Assinaremos este protocolo porque comungamos de uma visão do território não apenas para ser habitado, mas também para ser usufruído, criando identidade e identificação. A ideia é caminhar para um modelo de gestão do território, através da criação de condições de caminhabilidade, de melhoria da qualidade urbana, promovendo a sociabilidade, a universalidade do uso do espaço público, reforçando a atração do comércio. Paralelamente, estaremos a tornar as nossas cidades e freguesias mais sustentáveis do ponto de vista ambiental e com maior segurança pedonal e viária.
Ou seja, queremos criar um espaço urbano que possa ser usufruído, e que possa gerar uma dinâmica social e económica que venha a beneficiar de um conceito que pretende, em suma, incrementar uma filosofia de mobilidade como eixo de pertença. Só as cidades e freguesias que podem ser vividas nas suas diversas valências, mas sobretudo na sua dimensão humana, estão aptas a concretizar uma gestão do território com dimensão humana, cultural e social.