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Internamentos superaram em 2024 níveis de 2019 e consultas bateram recorde

Os principais financiadores da despesa corrente em cuidados de saúde em 2024 foram o SNS e os Serviços Regionais de Saúde (55,2%)

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Após o impacto da pandemia de covid-19, o ano de 2024 marcou uma recuperação da atividade hospitalar em Portugal, com os internamentos a superar os níveis de 2019 e as consultas e cirurgias com valores máximos desde 1999.

Os dados constam da publicação "Estatísticas da Saúde -- 2024", do Instituto Nacional de Estatística (INE), hoje divulgada por ocasião do Dia Mundial da Saúde, assinalado na terça-feira.

Segundo os dados, as consultas médicas, as cirurgias em bloco operatório e os atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica registaram, em 2024, os valores máximos iniciados em 1999.

"Em 2024, o número de internamentos ultrapassou, pela primeira vez, o valor observado em 2019 [antes da pandemia], enquanto o número de atendimentos em serviço de urgência permaneceu ligeiramente abaixo da atividade registada em 2019, não obstante a recuperação verificada desde 2021", salienta o INE.

Foram registados 1,2 milhões de internamentos (mais 18,7 mil do que em 2023 e mais 5,8 mil do que em 2014), correspondendo a 10,5 milhões de dias de internamento (mais 0,7% em relação ao ano anterior e mais 4,6% em relação a 2014).

A maioria (71,7%) ocorreu em hospitais públicos, sendo a duração média de internamento de 7,4 dias nos hospitais gerais e de 45,7 dias nos hospitais especializados.

Segundo o INE, foram realizados 8,2 milhões de atendimentos nos serviços de urgência, mais 1% do que em 2023 e mais 12,2% do que em 2014, tendo a maioria (78%) ocorrido nos hospitais públicos.

Foram também realizadas 23,9 milhões de consultas médicas nas unidades de consultas externas dos hospitais em 2024, mais 1 milhão relativamente a 2023 (4,5%) e mais 5,8 milhões face a 2014 (32%).

Nesse ano, foram efetuadas 1,3 milhões de cirurgias (exceto pequenas cirurgias), mais 96,7 mil face a 2023 (8,3%), a maioria no SNS.

Outros dados do INE apontam que ocorreram 84,1 mil partos em 2024, menos 1,059 do que em 2023, sendo que 1,2 mil foram partos gemelares (1,4%).

No mesmo ano, foram registados 119.046 óbitos, mais 0,1% do que no ano anterior, dos quais 650 foram de residentes no estrangeiro.

As mortes naturais representaram 95,2% do total de óbitos, sendo as restantes por causas como acidentes, suicídios, homicídios, referem os dados, acrescentando que 64,8% das mortes ocorreram em hospitais ou clínicas.

"Morreu-se principalmente devido a doenças do aparelho circulatório (25,4% do total de óbitos), a mesma percentagem que em 2023", afirma o INE, acrescentando que as mortes por tumores malignos representaram 23,8% do total de óbitos.

Foram registados 257 óbitos de crianças com menos de um ano, mais 39 mortes face a 2023, dos quais 62,3% tinham menos de 28 dias de vida.

"A mortalidade infantil ocorreu principalmente devido a outras afeções perinatais, a malformações congénitas do coração e a outras afeções respiratórias do recém-nascido, correspondendo a 33,1% dos óbitos infantis", sublinha.

De acordo com o retrato feito pelo INE, os hospitais públicos ou em parceria público-privada continuaram, em 2024, a ser os principais prestadores de serviços de saúde, assegurando 85,1% dos atos complementares de diagnóstico e/ou terapêutica.

Foram também responsáveis por 79,9% dos atendimentos em urgência, 73,5% das cirurgias em bloco operatório e 73% dos internamentos.

"Os hospitais do setor público asseguraram mais de 60% das consultas médicas, mas esta é a componente de atividade em que os hospitais privados conseguiram atingir o peso mais expressivo, representando 37,6% do total", salienta.

Em 2024, existiam em Portugal 242 hospitais, o mesmo número do ano anterior e mais 13 do que em 2010, referem os dados, acrescentando que mais de metade eram privados (131).

Todavia, os hospitais públicos mantinham em 2024 a maioria das camas disponíveis para internamento (de um total de 35,4 mil camas, 24 mil estavam no Serviço Nacional de Saúde.

A despesa corrente em cuidados de saúde representou 10,2% do Produto Interno Bruto em 2024 (dados preliminares).

Nesse ano, a despesa corrente pública em cuidados de saúde representou 64,7% da despesa corrente em cuidados de saúde, mais 0,8 p.p. em relação ao ano anterior (63,9%).

Os principais financiadores da despesa corrente em cuidados de saúde em 2024 foram o SNS e os Serviços Regionais de Saúde (55,2%).