O voto a São Tiago Menor
Na sexta-feira, uma vez mais, o Funchal celebra o Voto a São Tiago Menor. Uma tradição que remonta a 1521, quando a nossa cidade assolada pela peste sem que as medidas sanitárias implementadas funcionassem – já tinham falecido mais de 1.600 pessoas, sendo que, no auge do contágio, os registos históricos apontam para 30 óbitos, diariamente – recorreu à protecção divina, como usual, então.
Como reza a história e assim está registado, foi uma criança de sete anos, de nome João, que, no sorteio, retirou o nome de São Tiago Menor, assim chamado para distinguir-se do outro apóstolo, também Tiago de seu nome, o maior, por ser mais velho e por, primeiramente, se ter juntado a Jesus Cristo (este é o apóstolo, também conhecido por São Tiago de Compostela e que é a pedra basilar dos famosos Caminhos de Santiago). Os outros nomes eram os da Virgem Maria, São João Baptista e os 12 apóstolos.
Deste Voto a São Tiago Menor e, na fé, nele colocado, nasceu a Igreja de Nossa Senhora do Socorro. Embora, a ciência tenha naturalmente uma outra explicação, atribuindo o fim das epidemias aos ciclos biológicos, a natural criação de imunidade, o que é certo é que os relatos afirmam que a pandemia diminuiu drasticamente, tendo, rapidamente, acabado por desaparecer.
Os factos, contudo, falam por si, tal como a fé, que é sempre uma questão de crença, primeiro individual e, depois, colectiva. Ou seja: a cada uma a sua fé, ou se tem ou não, mas não é o objectivo deste artigo perorar sobre se foi ou não o Voto de São Tiago Menor fundamental para que a nossa cidade se livrasse de um terrível flagelo, que tanta gente dizimou, não apenas, no Arquipélago da Madeira, mas também por todo o mundo.
A questão que aqui queremos abordar é outra. O do cumprimento de uma promessa, que ainda hoje se mantém e que, certamente, continuará a ser cumprida, numa demonstração não só de religiosidade, tradição, história e agradecimento, mas sobretudo de ética.
E, precisamente, São Tiago Menor, que foi o primeiro Bispo de Jerusalém, e é conhecido pelo seu espírito prático e pela sua ética cristã.
Para São Tiago Menor, a fé, mais do que tudo, devia manifestar-se em acções concretas, bem como pela defesa da igualdade de todos independentemente de quem sejam, não fazendo distinções entre ricos e pobres.
Nesse sentido e tendo como exemplo as palavras de São Tiago Menor, o apóstolo em quem a cidade de 1521 se uniu, com devoção e crença, queremos, nas vésperas de um tão importante momento da nossa história colectiva, reafirmar, perante a cidade e os funchalenses, os compromissos a que nos propusemos para este mandato autárquico.
Como todos sabem e é comumente dito, Roma e Pavia não se fizeram num só dia. Da mesma forma, o que assumimos com os funchalenses levará o seu tempo, porque nada se faz apenas estalando os dedos, mas há uma certeza: iremos cumprir.
Sabemos quais são os grandes desafios que a cidade enfrenta, nomeadamente no que se refere à habitação e a mobilidade, isto para falarmos de duas das questões que mais preocupam os munícipes. Estamos a tomar medidas que serão concretas e objectivas, com resultados que serão visíveis, tal e qual São Tiago Menor defendia, até porque a governação, pelo menos em democracia e assim connosco é e ainda bem, não escapa ao crivo dos cidadãos, que são sempre quem tem o poder nas mãos, não só o de eleger e escolher, mas também o de acreditar.