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TP 1702 - Boarding Zone C

O tema mais debatido atualmente diz respeito ao subsídio de mobilidade como instrumento de justiça territorial. E bem. Mas há um tema que não foi discutido, a experiência real de quem viaja e aqui não falamos de quem viaja semana após semana, mas sim as pessoas, madeirenses e açorianos, onde viajar não é sempre por lazer, muitas vezes é em trabalho, em família e por necessidade.

Ainda assim, quando compramos um bilhete, muitas vezes por valores elevados por comparação com outras rotas existentes, não raras vezes mais elevados que o custo em plataformas para outros portugueses poderem adquirir, somos automaticamente colocados em categorias de embarque menos favoráveis, como a chamada “boarding zone C”. Isto traduz-se, de forma sistemática, em sermos os últimos a entrar no avião, com menor margem de escolha e, frequentemente, sem acesso a direitos básicos como o transporte de bagagem de mão.

A justificação é recorrente: “o voo está cheio”. No entanto, essa mesma ocupação máxima não se reflete numa diferenciação positiva para o passageiro, pelo contrário, transforma-se numa limitação. Paga-se mais, recebe-se menos. E essa sensação de desvalorização repete-se demasiadas vezes para ser ignorada.

Muitos de nós escolhem voar com a TAP Air Portugal por um sentimento de pertença e confiança numa companhia nacional. Fazemo-lo acreditando que esse vínculo é recíproco. No entanto, a perceção crescente é de que esse respeito nem sempre é correspondido, sobretudo quando falamos de regiões ultraperiféricas que dependem do transporte aéreo como verdadeiro elo de ligação ao país.

Não se trata apenas de preços ou de subsídios. Trata-se de equidade, de dignidade no serviço e de reconhecimento da especificidade de quem vive longe do continente. Trata-se de garantir que quem mais precisa de voar não é quem menos é valorizado.

É urgente que haja uma maior sensibilidade por parte desta transportadora, para com os seus clientes mais frequentes e fiéis. Porque mais do que passageiros, somos cidadãos que contribuem, diariamente, para um país que deve ser verdadeiramente uno, do continente às ilhas.