CDS-PP diz que constituintes "prestaram péssimo serviço à democracia" ao abandonar galeria
O CDS-PP considerou hoje que a saída de alguns constituintes durante a intervenção do líder do Chega na sessão dos 50 anos da Constituição foi "um péssimo serviço à democracia" e André Ventura agradeceu o apoio dos centristas.
Em declarações aos jornalistas, na Assembleia da República, o líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, criticou a saída de alguns deputados constituintes da sessão solene do 50.º aniversário da Constituição durante a intervenção do líder do Chega, André Ventura, considerando que "fica-lhes mal", que "isso não deveria ter acontecido" e lamentando que a "cerimónia tenha sido estragada, de alguma forma, com esse incidente".
"Eu sou daqueles que acho que, mesmo quando não concordo com aquilo que está a ser dito, não devo abandonar, não devo sair, não devo virar as costas. Devo, num espírito de liberdade, num espírito de tolerância, num espírito de abertura, ouvir todos os deputados, mesmo aqueles com os quais eu não concordo", afirmou.
O centrista disse que os deputados da Constituinte que abandonaram a sala "prestaram um péssimo serviço à democracia" e que muitos desses "estiveram envolvidos no PREC e no verão quente de 75", em que "houve muitas liberdades que foram postas em causa, prisões políticas sem mandatos, ocupações e nacionalizações absolutamente selvagens".
"Não gosto de ver deputados da Constituinte a virarem as costas. Mas aqueles que viraram as costas não me surpreendem, porque estiveram envolvidos no verão quente de 75 e por isso, no fundo, continuaram uma prática que tiveram há mais de 50 anos", atirou.
Pouco depois, também o líder do Chega abordou o incidente para lamentar a saída dos deputados da Constituinte, mas afirmar que compreende a decisão, uma vez que foram ditas "coisas que não gostaram de ouvir" ou que tocaram na "forma como veem a história".
"Ainda por cima, o que ouviram é absolutamente verdade. Houve FP-25 em Portugal. Alguns desses deputados de extrema-esquerda estiveram e foram cúmplices desse processo. Alguns deles patrocinaram a amnistia que, uns anos depois, foi dada a essas forças terroristas. Houve prisões sem mandato. (...) Toda a gente sabe isso", considerou, acrescentando que uma das vitórias do Chega é que o país se veja hoje "sem as amarras do passado".
Ventura saudou ainda o CDS-PP e alguns deputados do PSD por se terem posicionado do lado do Chega, demonstrando que "há de facto uma nova direita a aparecer em Portugal" que "não tem medo de olhar para o passado".
Paulo Raimundo, secretário-geral do PCP, também comentou o incidente, mostrando-se grato pelo trabalho dos deputados da Constituinte e afirmando que tudo o resto "é folclore" que não quer alimentar, mas acusou o Chega de "falta de respeito" por quem concretizou o 25 de Abril.
O coordenador do BE, José Manuel Pureza, também criticou o líder do Chega, mas disse não querer dar-lhe atenção: "Esta cerimónia mostra que a extrema-direita, em Portugal como em todo o lado, faz sempre a mesma coisa. Traz bandalheira e quer que falemos de bandalheira. E eu não lhes darei esse bónus".
O porta-voz do Livre Rui Tavares acusou a extrema-direita de uma "manifestação de revanchismo" na sessão solene e de ter uma "atitude mal educada perante os constituintes, que desagrada, ofende e choca os portugueses que não gostam de uma atitude assim na casa da democracia".
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, considerou que António José Seguro reafirmou o seu compromisso com a Lei Fundamental, sendo "o garante da defesa dos valores constitucionais".
"Os dois terços dos portugueses, os três milhões e meio de portugueses que votaram no senhor Presidente da República, sentiram-se hoje, digamos, fortalecidos com esta mensagem de esperança e de confiança na defesa desses valores fundamentais", considerou.
Pela IL, a líder Mariana Leitão, reiterou que "a Constituição não está escrita em pedra" e que as várias revisões ajudaram a melhorar o texto.
Pelo PAN, Inês Sousa Real considerou que este não é o tempo de rever a Constituição, discordando do presidente do parlamento.