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Carta aberta aos companheiros

Companheiros,

Escrevo desde Câmara de Lobos, de um município onde a política se mede todos os dias na decisão e na resposta. É dessa experiência que parte esta reflexão, mas é também a partir de dentro do Partido que a faço, com respeito por quem palmilha veredas e caminhos mais íngremes, por quem dá a cara, por quem organiza, mobiliza e mantém o PSD ligado às pessoas quando não há campanhas nem holofotes.

O PSD Madeira chega a este Congresso com um percurso que não pode ser desvalorizado. Ao longo da última década, a Região cresceu, reduziu o desemprego para níveis que durante anos pareceram difíceis de alcançar e manteve estabilidade num contexto nacional e mundial frequentemente marcado pela incerteza. Esse caminho não foi isento de críticas, nem perfeito, mas teve uma caraterística essencial em que houve capacidade de decidir e de executar. E isso deve ser reconhecido com frontalidade, porque é a partir daí que se faz a exigência para o que falta fazer.

Mas reconhecer não é acomodar.

Há hoje problemas que são mais visíveis e mais exigentes. A habitação é um dos mais claros. O acesso à casa tornou-se mais difícil e mais pesado para quem trabalha. Em Câmara de Lobos, essa realidade sente-se todos os dias. E é por isso que estão em curso respostas com escala, envolvendo cerca de 175 fogos distribuídos por todas as freguesias, num investimento superior a 40 milhões de euros, muitos já em execução. Não resolve tudo, mas demonstra uma opção de que não se pode empatar, deve-se agir.

Também na valorização dos trabalhadores foi preciso tomar decisões. Houve anos em que quem trabalha ficou para trás. Isso não podia continuar. E quando há escolhas a fazer, fazem-se. Porque governar é isso mesmo, decidir quando é preciso, mesmo quando não é cómodo.

Na mobilidade, persistem dificuldades que afetam diretamente a vida das pessoas e a confiança nas soluções. E quando a política demora, o problema deixa de ser técnico e passa a ser político. É nesse espaço que crescem respostas fáceis para problemas difíceis. Os populismos não aparecem por acaso. Ganham espaço quando nós não chegamos a tempo. E combatem-se com aquilo que sempre nos distinguiu: trabalho e capacidade de resposta.

É aqui que o poder local faz a diferença.

E é aqui que Câmara de Lobos tem dado provas. Através da nossa família social-democrata. Porque na verdade Somos Câmara de Lobos. E isso tem significado político. É um Concelho que, ao longo dos anos, tem dado consistência ao PSD, com expressão eleitoral relevante e capacidade de mobilização que faz diferença quando é preciso garantir estabilidade. Nem sempre é reconhecido como devia. Muitas vezes é olhado com desconfiança. Mas a verdade é simples porque quando é preciso, Câmara de Lobos responde. E responde mostrando a nossa força.

E responde porque há uma estrutura que não falha. Há militantes que não aparecem apenas em momentos convenientes. Há gente que não empata. Que assume. Que decide. Que fica quando é mais difícil. É esse militante anónimo que sustenta o Partido. Mas também há quadros preparados, com conhecimento e sentido político, que dão consistência à ação e ajudam a transformar decisão em resultado. É essa combinação que faz a diferença e que permite ao PSD continuar a ser uma força com ligação efetiva ao terreno.

A Região atravessa hoje um momento em que a exigência é maior e a margem para atraso é menor. As pessoas esperam decisões e respostas em tempo útil, sobretudo em áreas onde os problemas são mais evidentes. Isso obriga a reduzir o tempo de decisão e a assumir o que ainda falta fazer, sem prolongar diagnósticos nem adiar soluções. O que está em causa já não é apenas o que foi alcançado, mas a capacidade de responder com eficácia aos desafios que chegam a toda a velocidade.

Companheiros,

O projeto social-democrata consolidou-se porque soube manter rumo nos momentos difíceis. E é nesse contexto que a liderança de Miguel Albuquerque deve ser vista, mais próxima, mais presente e com mais capacidade de garantir estabilidade quando ela era necessária. Câmara de Lobos não esquece isso. E reconhece-o.

Mas o próximo ciclo exige mais.

Exige mais rapidez, mais decisão e menos adiamento. Exige atenção à habitação, à valorização dos salários, ao papel das freguesias, ao social, ao emprego e aos setores que sustentam a economia da Região. E exige, sobretudo, não perder tempo. Porque quando a política empata, alguém ocupa esse espaço. E esse alguém raramente resolve.

O PSD tem base. Tem gente. Tem trabalho feito. Mas o futuro não se garante com o passado.

Garante-se com a capacidade de continuar a decidir, a responder e a estar presente.

Da nossa parte, não há dúvidas.

Somos PSD. E hoje, mais do que nunca, isso faz sentido.

Vemo-nos no Chão da Lagoa.