Cinquenta anos e vinte congressos depois
Precisamente no mês que assinala os cinquenta anos de autonomia realiza-se o vigésimo congresso do PSD Madeira.
Sem dúvida alguma, datas a assinalar, não fosse a relação direta entre a luta, conquista e consolidação dos direitos regionais ao longo de todo o processo autonómico e consecutiva escolha de agentes e estratégias políticas definidas ao longo dos anos nos diversos congressos do partido e porque foi o PSD o protagonista político na construção e defesa da autonomia desde o início.
E de facto o tema autonomia foi pedra basilar desde o primeiro Congresso realizado em 11 de julho de 1977, cujo objetivo central foi precisamente a articulação com o PSD Nacional no sentido de assegurar a autonomia regional, a descentralização e o poder local.
Passado meio século, foram muitas as conquistas, é um facto, mas nunca uma verdadeira vitória, porque a luta continua e mesmo que se defenda a necessária alteração à Lei Constitucional de 2 de abril de 1976, para reforçar os poderes autonómicos, ainda somos não raras as vezes confrontados com violações de direitos formalmente consagrados como é o caso do princípio da continuidade territorial, mais atual do que nunca.
Não obstante foram dados passos de gigante na evolução e desenvolvimento da Região. Às boas políticas exercidas seguiu-se o desenvolvimento económico e social. Foram construídas importantes infraestruturas que aproximaram as populações e combateram o isolamento e as desigualdades sociais.
Mesmo sem olhar muito atrás na nossa história, qualquer cidadão nascido nos anos sessenta ou setenta consegue claramente traçar esta evolução. Sem sequer abordar outras áreas, no que toca à educação, o analfabetismo era gritante e poucos eram aqueles que tinham direito a um curso superior. E mesmo ao nível do ensino básico e secundário as diferenças eram enormes. A título de exemplo, só quando vim estudar para o Funchal para frequentar o décimo ano é que comecei a ter a disciplina de educação física, nem nunca tive a disciplina de música durante todo o meu percurso escolar, assim como muitos da minha idade, simplesmente porque eram poucos os professores que arriscavam vir dar aulas para um concelho tão distante como era a Calheta.
Se há muito por fazer, claramente que sim e cada dia de forma mais desafiante. É para isso que trabalhamos e é também por isso mesmo que, uma vez mais, o PSD se reúne em Congresso, não só porque unidos somos mais fortes, mas sobretudo porque se impõe traçar a estratégia política de futuro que melhor servirá a Região.
E a célebre frase do Dr Alberto João Jardim, proferida na sua primeira tomada de posse “A Madeira será o que os madeirenses quiserem” está mais atual do que nunca.
De facto a Madeira evoluiu nos últimos cinquenta anos porque os madeirenses assim o quiseram e continuam a querer.