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Economia Azul: A Nova Fronteira Estratégica

Por vezes, nós, madeirenses, olhamos para o mar mais como um fator de isolamento do que como uma oportunidade. Com o advento do turismo moderno, reconciliámo-nos com o oceano, mas acabámos por reduzi-lo, sobretudo, a um postal ilustrado. Hoje, perante os desafios da sustentabilidade e as diretrizes da União Europeia, é urgente dar um passo em frente.

O que entendemos por economia azul e porque é que esta é fundamental? A economia azul refere-se à utilização sustentável dos recursos dos oceanos, mares e zonas costeiras para impulsionar o crescimento económico, a melhoria dos meios de subsistência e a criação de emprego, preservando, simultaneamente, a saúde dos ecossistemas marinhos.

O recente Pacto Europeu para os Oceanos e a estratégia da Comissão Europeia para uma Economia Azul Sustentável deixam um aviso claro: o crescimento económico e a preservação do ecossistema são faces da mesma moeda. Para uma região ultraperiférica como a Madeira, isto não é apenas uma recomendação ambiental, é uma estratégia de sobrevivência e afirmação económica.

Precisamos de transcender o modelo tradicionalo futuro exige que olhemos para as nossas frentes de mar como laboratórios vivos. Isto passa, inevitavelmente, por três eixos fundamentais:

Primeiro, a investigação e a biotecnologia azul. A nossa biodiversidade marinha é um ativo subaproveitado. Apostar no conhecimento científico para fins farmacêuticos, cosméticos ou alimentares é criar emprego altamente qualificado e fixar jovens talentos na Região.

Segundo, os desportos náuticos como motor de diferenciação. Concelhos com frentes de mar privilegiadas têm o potencial para se tornarem centros de excelência para o treino de alto rendimento, eventos internacionais de vela, canoagem ou mergulho.

Terceiro, a sustentabilidade das infraestruturas. Uma Economia Azul sustentável exige que as nossas marinas e portos sejam pontos de energia limpa e gestão eficiente de resíduos. Não podemos falar em “mar azul” se não formos exemplares na proteção da saúde dos nossos ecossistemas costeiros, que são, afinal, o nosso maior capital.

A Economia Azul é, acima de tudo, uma questão de soberania e de segurança. Ao diversificarmos a nossa base económica através do mar, explorando desde as energias renováveis offshore até à pesca sustentável de nova geração, tornamos a Madeira mais resiliente a crises externas. O desenvolvimento regional não se faz com fórmulas esgotadas. Faz-se com a coragem de olhar para o território, e para o mar que o rodeia, com um novo olhar.