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Guerra no Irão País

Montenegro diz que EUA são "aliado incontornável" mas critica ameaças de Trump

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Foto MIGUEL A. LOPES / LUSA

O primeiro-ministro, Luís Montenegro, defendeu hoje que os Estados Unidos da América são "um aliado incontornável", mas criticou também, de forma implícita, as ameaças do Presidente norte-americano a Espanha no conflito no Irão.

Luís Montenegro falava na conferência de imprensa conjunta da 36.ª Cimeira Luso-espanhola, ao lado do chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, que decorreu hoje de manhã em Huelva (Espanha) e teve como tema central a segurança climática, mas acabou dominada, na fase de perguntas, pelo conflito no Médio Oriente.

O primeiro-ministro português rejeitou que o tema do Irão seja um problema na relação com a Espanha, manifestando "respeito total" pelas posições de Sánchez em matéria de política externa, e dizendo querer até "desanuviar a tensão".

"As ameaças e as acusações não são o caminho entre aliados", disse Montenegro, depois de ser questionado sobre a ameaça de represálias de Donald Trump a Espanha.

O primeiro-ministro começou por afirmar, sobre este conflito, que o compromisso de Portugal "coma União Europeia, com a NATO e com a Carta das Nações Unidas é inabalável"

"O governo português é um governo que defende a diplomacia e a negociação como caminho para resolver os conflitos. E, do mesmo modo, é um governo que está ao lado dos seus aliados quando os seus aliados se encontram em conflito", disse

Por isso, continuou, Portugal está ao lado dos parceiros da União Europeia, como Chipre, ao lado dos parceiros da NATO, ao lado da Turquia, "caso haja a tentação também de colocar em causa a segurança desse país amigo e aliado".

"Estamos ao lado dos Estados Unidos da América, um aliado incontornável da nossa vocação atlântica e do nosso sistema de segurança e defesa", disse.

Por outro lado, e depois de ser questionado pela ameaça de represálias norte-americanas à decisão espanhola de não permitir o uso das bases militar no conflito do Irão, Montenegro fez uma crítica indireta ao presidente dos Estados Unidos.

"O caminho da ameaça ou da acusação não é o caminho correto. Mas para que fique muito claro, entre Portugal e Espanha não há nenhum problema. Há um respeito total pelas capacidades, competências e participação de cada um, há um nível do contexto geopolítico e há um nível de análise que esse contexto importa para as decisões de cada um dos Estados", disse.

Em resposta a uma outra pergunta sobre o mesmo tema, Montenegro disse que não contribuiria para aumentar a tensão, mas "para tentar desanuviar".

"O nosso posicionamento de Portugal é estar ao lado dos países que estão a ser alvo desses ataques e daqueles que os defendem. E, por isso, estamos ao lado dos Estados Unidos. Como estamos ao lado da Espanha quando a Espanha decide apoiar as defesas de um país igualmente amigo, como é o Chipre, membro da União Europeia", disse.

Questionado se Portugal admite enviar ajuda para países como o Chipre, como fez a Espanha, Montenegro não respondeu.

Sánchez tem condenado os ataques dos EUA e de Israel ao Irão, tendo recusado a utilização de bases militares em território espanhol pelos norte-americanos para estas operações. Na resposta, o Presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou Espanha com represálias.

O Governo português deu uma "autorização condicionada" ao uso da base das Lajes, nos Açores, já depois do início do ataque, no sábado, e Luís Montenegro afirmou que "Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar", mas salientou que o país está mais próximo do seu aliado norte-americano do que do Irão.