IA e algoritmos impulsionam onda de desinformação sobre conflito no Médio Oriente
O aumento da desinformação sobre o conflito no Médio Oriente está ligado aos algoritmos 'online', que privilegiam conteúdos polarizadores e sensacionalistas, afirmou à Lusa o diretor de operações do Polígrafo, apontando a Inteligência Artificial (IA) como amplificadora de narrativas.
"O algoritmo procura tudo o que polariza, no fundo, tudo o que é sensacionalista ou alarmante e causa medo, angústia, raiva, etc. Portanto, a desinformação pede muito dos contextos de conflitos militares, como de catástrofes naturais", explicou o diretor de operações do 'fact-checking' Polígrafo, Filipe Pardal.
O responsável referiu que a "metodologia de quem pretende desinformar com propósito é quase sempre a mesma: fazer passar uma posição dominante no algoritmo".
"No caso do Irão, verifica-se mais utilização de IA do que há quatro anos, quando começou o conflito na Ucrânia", afirmou.
De acordo com uma investigação da agência France Presse (AFP), excertos de videojogos reciclados para fazer crer em ataques com mísseis, bem como imagens geradas por IA a mostrar navios de guerra americanos afundados - incluindo, alegadamente, o porta-aviões USS Abraham Lincoln - obtiveram milhões de visualizações.
Trata-se da reutilização de táticas de desinformação semelhantes às já observadas em outros conflitos, como na Ucrânia e em Gaza.
Por exemplo, as imagens fabricadas, que apresentam o Irão como mais ameaçador do que a situação no terreno sugere, totalizaram mais de 21,9 milhões de visualizações na rede social X, empresa da qual Elon Musk é dono, de acordo com a organização de monitorização de desinformação NewsGuard.
Na terça-feira, a plataforma do multimilionário anunciou que suspenderia por 90 dias o seu programa de partilha de receitas para criadores que publicam vídeos de conflitos armados gerados por IA.
Além disso, um estudo da mesma organização revelou que a ferramenta de pesquisa de imagens invertidas do Google produziu informações erradas, geradas por IA, sobre imagens falsas ou enganadoras relacionadas com o conflito no Médio Oriente.
O diretor do Polígrafo mencionou ainda a utilização de outras técnicas de desinformação, como a descontextualização e a reutilização de vídeos antigos a serem passados como atuais, para repassar uma posição sobre o conflito.
A AFP também identificou uma série de contas pró-iranianas que publicavam vídeos antigos com o objetivo de exagerar os danos causados pelos ataques de Teerão contra Israel e os Estados do Golfo.
Os Estados Unidos e Israel lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.