Comissão Europeia mobiliza ajuda para retirar cidadãos da UE no Médio Oriente
A Comissão Europeia está a mobilizar ajuda para voos de repatriamento de cidadãos da UE retidos no Médio Oriente, na sequência dos pedidos de Itália, Eslováquia, Áustria e Roménia, nos quais poderão viajar cidadãos portugueses.
"A Comissão está a intensificar o apoio aos esforços de evacuação e repatriamento dos Estados-membros, nomeadamente através do Mecanismo de Proteção Civil da UE e do Centro de Coordenação da Resposta a Emergências, trabalhando em estreita colaboração com as delegações da UE", indicou à agência Lusa a porta-voz da instituição para a gestão de crises, Eva Hrncirova.
"Estamos a tomar todas as medidas necessárias para garantir que os cidadãos da UE na região possam contar com o nosso total apoio. Estamos em contacto com todos os Estados-membros, incluindo Portugal, através de diferentes canais de emergência", acrescentou, numa resposta escrita enviada à Lusa.
Vincando que o objetivo é "apoiar os Estados-membros e proteger os cidadãos da UE das consequências adversas dos acontecimentos que se desenrolam no Irão e no Médio Oriente", a porta-voz explicou que, até ao momento, foram feitos ao executivo comunitário quatro pedidos no âmbito do Mecanismo de Proteção Civil da UE, que coordena a resposta a emergências, vindos das autoridades de Itália, Eslováquia, Áustria e Roménia.
"Atualmente, estão previstos sete voos nos próximos dias ao abrigo do Mecanismo de Proteção Civil da UE. A situação é instável e muda a cada hora e, por este motivo e por razões de segurança, não comunicamos detalhes das operações", adiantou Eva Hrncirova.
Depois do início dos ataques de Israel e dos Estados Unidos ao Irão e da consequente resposta armada iraniana, estes quatro países notificaram Bruxelas sobre voos de repatriamento (com capacidade entre 180 a 300 lugares, dependendo da aeronave), nos quais poderão levar cidadãos de outros países.
Tais operações de retirada podem ter financiamento europeu, que varia entre 50% (quando mais de 70% dos passageiros são cidadãos do país que organizou o voo e o restante de outros Estados-membros da UE), 75% (se a bordo seguem mais de 30% além da nacionalidade organizadora) e 100% (no caso de pedidos feitos diretamente a Bruxelas para organizar, por exemplo, quando é um país pequeno).
Certo é que a situação está a evoluir e o Centro de Coordenação de Resposta de Emergência está em contacto e em reuniões preparatórias com as autoridades dos Estados-membros, como de Portugal.
Uma fonte europeia explicou à Lusa que "ainda não há nada específico sobre Portugal, nem pedido [para ter passageiros noutro voo] ou disponibilidade" para levar outros cidadãos da UE.
Ainda assim, garantiu que "não é porque Portugal não ativou [o mecanismo] que não podem estar passageiros portugueses a bordo", dado o princípio de solidariedade europeia.
A UE estima estarem mais de 500.000 cidadãos (200.000 só nos Emirados Árabes Unidos) europeus na região do Médio Oriente, tanto residentes, como turistas ou pessoas em trabalho, e lembrou que nem todos querem sair.
Acrescem cerca de um milhão de cidadãos da UE em Israel e perto de 4.000 no Irão, alguns destes com dupla nacionalidade.
Além da questão do repatriamento por ar, existem sete cruzeiros presos na zona do estreito de Ormuz ou do mar Vermelho, indicam dados facultados por Bruxelas à Lusa.
Existem ainda outros cidadãos presos em África e na Ásia dado que as viagens implicariam escalas em 'hubs' dos países do golfo.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.