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Março do nosso (des)contentamento

A primavera começou há dois dias. Já devia cheirar a festa por toda a ilha; já devíamos ressudar alegria e otimismo por todos os poros. Mas não é assim. Teimamos em andar cabisbaixos e com ar de quem não vê na chegada da primavera o renascer da esperança.

Os tempos vão, de facto, difíceis e não é tanto por este inverno que parece eternizar-se, arrefecendo-nos a alma e tirando-nos a energia; mas antes pelo mundo que temos, um mundo em que os mísseis e os drones que caem no Médio Oriente ameaçam estoirar dentro das nossas cabeças e rebentar-nos as entranhas. Temos saudades do tempo em que vivíamos como se não houvesse guerras. Na verdade, existiam, mas pareciam-nos muito distantes. Hoje, ainda que a milhares de quilómetros, abrem em nós crateras profundas que dificultam o nosso viver.

Não vai nada fácil este frio e húmido mês de março, que, na sua frieza, nos traz lições que intuíamos, mas que não queríamos ver testadas na realidade. Lições que estão em todos os livros de história por que estudamos, mas em que pouco aprendemos, porque encaramos as aulas de história como um desfile de personagens mortas que nada nos diziam. Infelizmente, a humanidade aprendeu pouco com a sua própria história. Se tivesse aprendido alguma coisa, não estaríamos a assistir à réplica do que se passou há cerca de um século, quando a ambição de tiranos loucos cegou povos inteiros e ameaçou destruir o mundo. Hoje, a ameaça é ainda maior. É tempo de despertarmos!

No meio deste turbilhão destrutivo, apesar de tudo, março trouxe-nos efemérides que temos de continuar a celebrar pelos valores que representam.

Em primeiro lugar, a nível global, o Dia da Mulher, que, partindo de lições cruéis da história, nos lembra que, um pouco por todo o lado, continua a haver inexplicáveis diferenças entre homens e mulheres, como se não fôssemos todos seres humanos de igual dignidade. É importante que não banalizemos os tratamentos discriminatórios que acontecem, tantas vezes, mesmo ao nosso lado, pelo que continua a justificar-se a celebração deste dia.

Em segundo lugar, para o Sindicato dos Professores da Madeira, março é um mês festivo, porque foi no dia 12 de março de 1978, já lá vão 48 anos, que um grupo de 280 docentes deu início a uma nova etapa na educação da RAM e, em particular, na dignificação da profissão docente. Por isso, nunca é demais lembrar estes pioneiros que, num contexto muito difícil e de grande incerteza, empreenderam um feito que, quase cinco décadas depois, continua não só a fazer sentido, mas também a ter um papel importante na sociedade regional.

Ainda há esperança para a humanidade!