Embaixada dos EUA na Jordânia evacuada devido a "ameaça"
A embaixada dos Estados Unidos (EUA) na Jordânia foi hoje evacuada devido a uma "ameaça" não especificada, após os ataques norte-americanos contra o Irão terem desencadeado represálias contra interesses de Washington em países muçulmanos.
"Por precaução, todo o pessoal da embaixada dos EUA deixou temporariamente o complexo da embaixada devido a uma ameaça", afirmou a embaixada em Amã no seu site, sem fornecer mais detalhes.
Desde que EUA e Israel lançaram no sábado a Operação "Fúria Épica" contra o Irão, matando o Líder Supremo Ali Khamenei e outros altos funcionários do governo iraniano, embaixadas e bases militares norte-americanas no Médio Oriente estão em alerta máximo devido aos mísseis e 'drones' lançados por Teerão em retaliação.
Em países como o Paquistão e o Iraque, manifestantes em fúria tentaram invadir embaixadas e consulados norte-americanos, o que levou a violentos confrontos com a polícia.
As autoridades paquistanesas mobilizaram hoje os militares e impuseram um recolher obrigatório de três dias no norte do país, após várias pessoas terem morrido em protestos violentos pelo assassinato de Khamenei.
Milhares de manifestantes xiitas, apoiados pelo Irão, atacaram no domingo as instalações do Grupo de Observadores Militares da ONU (UNMOGIP), que monitoriza o cessar-fogo ao longo da região de Caxemira, disputada pelo Paquistão, Índia e China, e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) na cidade de Skardu.
No sul do país também se registaram confrontos, após manifestantes pró-regime iraniano terem invadido, no domingo, o consulado dos Estados Unidos na cidade portuária de Karachi, partindo janelas e tentando incendiar o edifício.
A polícia respondeu com bastões, gás lacrimogéneo e tiros, fazendo 10 mortos e mais de 50 feridos.
Uma outra pessoa foi também morta em confrontos em Islamabad durante uma tentativa de marcha xiita em direção à embaixada dos EUA.
A embaixada dos EUA e os seus consulados em Karachi e Lahore cancelaram hoje todas as marcações para revisão de vistos de cidadãos norte-americanos, alegando preocupações de segurança.
Por seu lado, as autoridades paquistanesas reforçaram a segurança nas missões diplomáticas dos EUA em todo o país, incluindo nos arredores do edifício do consulado norte-americano em Peshawar, para evitar mais violência.
Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para "eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano", e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa "eliminar ameaças iminentes" do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma "ameaça existencial".
O Irão já confirmou a morte do 'ayatollah' Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.
Pelo menos 555 pessoas morreram no Irão desde o início dos ataques, segundo a organização humanitária Crescente Vermelho iraniano. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de quatro militares norte-americanos.
Portugal, França, Alemanha e Reino Unido condenaram os ataques iranianos a países vizinhos.