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Defesa dos EUA no Cenário Global

Desde o fim da Guerra Fria, os EUA consolidaram-se como potência hegemónica e principal garante da estabilidade da ordem internacional, assegurando previsibilidade política e económica aos seus aliados. Contudo, a segunda eleição de Trump assinalou um ponto de inflexão: sob uma lógica pragmática e transacional, centrada na avaliação de custos/benefícios, a política externa norte-americana passou a relativizar o compromisso tradicional com a manutenção da ordem liberal internacional.

A Estratégia de Segurança Nacional de 2025 evidenciou esta viragem na política externa dos EUA, privilegiando um realismo transacional, centrado na salvaguarda de interesses concretos e na reciprocidade. A nomeação de Pete Hegseth para o Departamento de Defesa reforça esta orientação, sinalizando a intenção de rever compromissos, redistribuir encargos nas alianças e exigir um alinhamento direto dos parceiros com as prioridades estratégicas de Washington.

A nova Estratégia de Defesa Nacional (EDN) reafirma a primazia dos EUA na segurança do hemisfério ocidental, integrando defesa antimíssil, ciber-resiliência, segurança fronteiriça, vigilância de pontos críticos e modernização nuclear. Neste contexto, o Canadá destaca-se como parceiro estratégico, pelo alerta precoce de mísseis, pelas capacidades de defesa aérea e marítima e pelo acesso privilegiado ao Ártico.

Paralelamente, a EDN assinalou a China como o principal desafio sistémico para os EUA, fruto da combinação entre peso económico, avanço tecnológico e capacidade militar crescente. Para Washington, assegurar o equilíbrio de poder no Indo-Pacífico tornou-se imperativo, de modo a impedir que Pequim controle rotas comerciais e infraestruturas estratégicas na região. Neste contexto, os EUA mantêm uma política de ambiguidade estratégica em relação a Taiwan, equilibrando dissuasão e contenção sem comprometer o status quo. Além disso, a EDN enfatiza a redistribuição de encargos entre aliados, pressionando os países europeus a assumirem maior responsabilidade pela sua segurança e estabilidade regional, privilegiando aqueles que investem consistentemente em defesa e podem atuar como multiplicadores do poder norte-americano. Já a Rússia é identificada como uma ameaça persistente, porém gerível, cuja relevância estratégica centra-se sobretudo nos domínios nuclear, cibernético, espacial e submarino.

Em suma, a atual política de defesa dos EUA centra-se na reciprocidade estratégica, exercendo pressão sobre a Europa para assumir maior responsabilidade pela sua própria defesa e segurança. Para assegurar a estabilidade regional e global, os países europeus devem fortalecer a sua autonomia militar e tecnológica, consolidando-se como parceiros ativos da OTAN.