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Iraque negoceia com Teerão passagem de petroleiros no Estreito de Ormuz

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O Iraque está em contacto com o Irão para que este país permita a passagem dos seus petroleiros pelo Estreito de Ormuz, anunciou o ministro do petróleo iraquiano.

Antes do conflito, o Iraque exportava o seu petróleo --- cerca de 3,5 milhões de barris por dia --- sobretudo a partir de Bassorá, no extremo sul do país e única ligação ao Golfo Pérsico e ao resto do mundo, através do estratégico Estreito de Ormuz.

Os ataques do Irão contra petroleiros e outras infraestruturas petrolíferas, em retaliação pelo ataque israelo-americano lançado a 28 de fevereiro, praticamente paralisaram a navegação pelo estreito, impedindo países produtores como o Iraque de escoarem a sua produção.

Em entrevista à estação de televisão iraquiana Al-Sharqiya, o ministro Hayan Abdel Ghani reconheceu que tinha contactado "as autoridades competentes" em Teerão "para autorizar a passagem de alguns petroleiros pelo Estreito de Ormuz, para que possamos retomar as exportações".

"Precisamos de lhes fornecer a identidade destes navios, os seus nomes e quem são os seus proprietários", acrescentou. 

O Estreito de Ormuz, via navegável por onde normalmente passa quase 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo, tornou-se praticamente intransitável nas últimas semanas.

Embora as autoridades de Teerão tenham emitido declarações contraditórias, em meados de março o ministro dos Negócios Estrangeiros afirmou que o Irão estava preparado para permitir que navios de determinados países utilizassem o estreito.

Teerão está a visar esta passagem para desestabilizar a economia global e, assim, pressionar Washington a parar com a ofensiva.

Com a guerra, o Iraque cessou completamente as suas exportações, que representam mais de 90% do seu rendimento. 

Vários campos petrolíferos estão encerrados e a produção foi drasticamente reduzida, servindo atualmente apenas para satisfazer as necessidades internas.

Bagdade está a procurar alternativas, incluindo um oleoduto que atravessaria a região autónoma do Curdistão iraquiano, a norte, até ao porto turco de Ceyhan, podendo transportar cerca de 250 mil barris por dia.

Após dias de tensão, o primeiro-ministro da região autónoma, Masrour Barzani, anunciou que deu finalmente a sua aprovação ao uso do oleoduto, "dadas as circunstâncias excecionais que o país enfrenta".

"Decidimos autorizar o trânsito de petróleo através do oleoduto do Curdistão o mais rapidamente possível", declarou o ministro na sua conta nas redes sociais.

Sem as receitas do petróleo, o Iraque, com uma população de mais de 46 milhões de habitantes, enfrenta graves dificuldades financeiras.

Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.

Em retaliação, o Irão encerrou o estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e outras infraestruturas em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Líbano, Jordânia, Omã e Iraque.

Incidentes com projéteis iranianos foram também registados em Chipre, na Turquia e no Azerbaijão.