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Guerra no Irão Mundo

Conflito no Médio Oriente "não é uma guerra da NATO", responde Berlim a Trump

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Berlim defendeu hoje que a guerra de Israel e Estados Unidos contra o Irão "não tem nada a ver com a NATO", depois de o Presidente norte-americano ter pedido ajuda dos aliados para desbloquear o estreito de Ormuz.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) é uma "aliança para a defesa do território" dos seus membros e "falta o mandato que permitiria a intervenção" da Aliança Atlântica fora das fronteiras da organização, afirmou o porta-voz do Governo alemão, Stefan Kornelius, numa conferência de imprensa.

"Esta guerra não tem nada a ver com a NATO. Não é a guerra da NATO", insistiu o porta-voz do chanceler Friedrich Merz.

Na sexta-feira, Merz apelou ao fim da guerra no Médio Oriente, sublinhando que o conflito "não beneficia ninguém e prejudica economicamente muita gente".

Mas, no domingo, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pressionou a China e a NATO para que ajudem a desbloquear o estreito, por onde transita um quinto da produção mundial de petróleo bruto e gás.

Trump previu "consequências muito negativas para o futuro da NATO" em caso de recusa.

A Alemanha "tomou conhecimento" desse apelo, respondeu Kornelius.

Berlim pretende saber "da parte de Israel e dos Estados Unidos", aliados históricos, "em que momento os objetivos militares no Irão terão sido alcançados", sublinhou hoje um porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros alemão.

"Será então possível iniciar conversações com vista a uma solução diplomática", acrescentou.

Opondo-se a qualquer "nova escalada militar" na região, a Alemanha não oferecerá "qualquer participação militar", mas está pronta "a garantir, pela via diplomática, a segurança da passagem no estreito de Ormuz", declarou ao mesmo tempo o ministro da Defesa alemão, Boris Pistorius.

"Estamos perante uma situação que não provocámos. [...] Esta guerra começou sem qualquer consulta prévia", acrescentou, sublinhando que a prioridade militar de Berlim é a sua "responsabilidade muito importante" face à ameaça russa no "flanco leste" da NATO e no "Grande Norte".

"O que espera Donald Trump de, digamos, um punhado ou mesmo dois de fragatas europeias, ali, no estreito de Ormuz? Que façam o que a poderosa marinha norte-americana, por si só, não consegue fazer?", questionou publicamente.

A Alemanha juntou-se assim à Austrália e ao Japão, que indicaram hoje que não enviarão navios de guerra para o Estreito de Ormuz.

"Não enviaremos nenhum navio para o Estreito de Ormuz. Sabemos o quanto isso é extremamente importante, mas não é algo que nos tenha sido pedido nem para o qual estejamos a contribuir", declarou a ministra dos Transportes australiana, Catherine King, em declarações à emissora nacional ABC.

Também o Japão indicou hoje que "não prevê" uma operação de segurança marítima no estreito de Ormuz.

"Na situação atual no Irão, não tencionamos ordenar uma operação de segurança marítima", declarou perante o Parlamento o ministro da Defesa nipónico, Shinjiro Koizumi.