O ‘Bom Malandro’
Mário Zambujal, desapareceu-nos. Partiu e, deixa saudade.
Cultivou o lado festivo da Vida, dizendo que ela é Querida!
Sorriamos ao vê-lo sorrir. Desempoeirado, não mandava recados, frontalmente com elegância falava. Simpatia e empatia nunca lhe faltaram, como características idiossincráticas.
Dizia, e bem, que a moral, também tinha que ver com a honestidade, amenidade e bondade no trato.
Teve uma casa de pai e mãe, que lhe deram e ao seu irmão ( o célebre caricaturista, Francisco Zambujal), e irmãs, uma boa escola de conduta. O pai, o rigor\honestidade, a mãe, a compreensão\amor.
Já jornalista, aquando do 25 de Abril esteve três dias fora de casa a viver a liberdade e o seus afazeres jornalísticos. Tinha vincadas preocupações sociais. Não fosse ele - alentejano.
Fui ao seu encontro na Feira do Livro: Apertei-lhe a mão e perguntei-lhe: é um 'bom malandro'? Riu-se e devolveu-me a pergunta: 'com aspas ou sem?'. 'Com', respondi-lhe a sorrir. Riu a mostrar os dentes e adiantou conversa. Ainda lhe disse: 'Li e reli a sua interessante obra - A Crónica dos Bons Malandros e gostei!' Riu-se com capacidade emocional para se colocar no meu lugar...vai faltando seres de Luz como ele.
O bom humor, a ironia e a alegria pautaram a sua completa vida. Quantas viveu?, ao longo dos seus 90 anos...
Prezava a individualidade, daí ter sido nato criador: letrista, dramaturgo, jornalista e notado escritor.
Honra a, Mário Joaquim Marvão Gordilho Zambujal.
Até à Eternidade, jamais te esqueceremos!
Vítor Colaço Santos