Os amigos… e o aumento dos combustiveis!

Não sei dizer os porquês, mas já tinha saudades de tomar um café com vocês.

- Ainda bem, amigo. Nós também gostamos muito de estar contigo.

- Será que o vosso fim de semana foi passado com alegria, aproveitaram-no bem para “carregarem as baterias”?

- Nem por isso. Foi um suplicio. Sábado e domingo foram dias terríveis, por causa dessa desgraça do aumento dos combustíveis.

- Só eu, dei meia-volta à Madeira, fui a três “bombas de gasolina” e para abastecer tive que voltar à primeira.

- Olha, também eu fui de propósito e perdi quase duas horas para encher o depósito. E o pior é que quando o vi abastado só me apetecia andar de carro. Querem saber? Fui buscar os meus amigos, - vocês os conhecem - o Dr. Jorge, o sr. Hélder e o Dr. Luís e fomos almoçar ao Porto Moniz.

- Ena pá, quer dizer que o dinheiro que na gasolina poupaste, em uma hora gastaste, se bem que, fizeste uma viagem, viste a paisagem e almoçaste.

- Sim, e como foi com os amigos, não dou nem o dinheiro, nem o tempo como perdidos.

- E tu, amigo, que estais calado, também andaste nas “filas” entalado?

- Calado e envergonhado, só me apetece meter num buraco. Ninguém diz o sacrifício que fiz, o tempo que perdi, para ganhar uns cêntimos no que abasteci.

Se fosse meu patrão que me pagasse o que eu ganhei - mesmo que fosse para ficar - como fiquei - uma hora sentado - mandava-o para a casa do diabo.

- Tem calma, eu estou pior do que vocês e até posso explicar os porquês. Além de andar feito num tolo numa fila para poupar uns cêntimos em meia dúzia de litros, ainda tive a triste ideia de telefonar a incentivar os amigos. Agora passam os dias a me dizer e “agradecer “que com a economia que fizeram tinham ficado ricos. Mas acreditem no que vos digo, podem pôr a gasolina a 100 euros ao litro que eu jamais telefonarei ao “raio” de um amigo.

- Eu, ouvindo os vossos relatos, ainda fico mais desaustinado. Vocês queixam-se na gasolina, meus amigos, e eu no gasóleo poupei a fortuna de 30 cêntimos em cada 10 litros!

- Tens razão, se fosse eu com tamanha poupança até me deitava à vadiação.

- Ainda bem que Deus Nosso Senhor, sempre manda estas peripécias para nos levantar o humor.

- E aqui - Que Deus seja Louvado – não se pode rir o rico do esfarrapado. Não houve discriminação social, nem racial, nem separação entre homens e mulheres, nem entre mais ou menos inteligentes, todos correram às “Bombas” para ganharem uns cêntimos.

- É verdade. Finalmente viu-se democracia, igualdade.

- Agora, falando em abono da verdade, isto foi um “cartão amarelo” para toda a sociedade. Se a guerra que anda lá fora se alastra mais um bocado, vamos ter esta correria nos nossos supermercados.

- Olha, eu ontem disse à minha mãe, que o melhor era já fazer as compras para o Natal que vem.

- E eu em casa disse isso também.

- Amigos, despeço-me de todos, foi um prazer estar convosco.

- Obrigado. És um companheiro adorado. Aliás, os bons amigos são imprescindíveis. Um abraço e até o próximo aumento dos combustíveis.

Juvenal Pereira