Madeirenses tiveram mais peixe e ovos à disposição em 2025
Em detrimento das carnes de vaca, porco e frango, cujo abate diminuiu em relação a 2024
A produção de ovos pelas empresas do ramo e a pesca descarregada nas lotas da Madeira aumentaram em 2025, por comparação com o ano anterior, significando uma potencial maior disponibilidade desses produtos aos consumidores madeirenses. Por outro lado, a carne de frango e o gado (ovino e bovino) abatido diminuíram. Os dados foram divulgados hoje pela Direção Regional de Estatística da Madeira (DREM).
Segundo informação recolhida "junto das empresas da Região que desenvolvem a actividade de avicultura industrial, em 2025, a produção de ovos atingiu 38,7 milhões de unidades, o que representa um aumento de 19,5% em relação ao ano anterior", enquanto que "a produção de carne de frango fixou-se em 3.444,4 toneladas, observando-se uma diminuição de 2,9% face ao ano precedente", refere.
A mesma tendência de quebra "foi registada no abate de gado, que diminuiu 8,6% comparativamente a 2024, e cujo volume totalizou 805,4 toneladas. Este decréscimo deveu-se à quebra observada no abate de bovinos (-8,4%), embora a redução nos suínos (-15,0%) também tenha contribuído. Registe-se ainda que a espécie bovina representou a quase totalidade do gado abatido (97,8% do total)", daí o seu peso distinto nesta quebra.
Já no domínio da pesca, "os dados fornecidos pela Direção Regional de Pescas (DRP) indicam que o ano de 2025 foi caracterizado por um acréscimo de 2,3% nas quantidades de pescado capturado, totalizando 3,6 mil toneladas" e "no que se refere ao valor de primeira venda, registou-se, por sua vez, uma diminuição de 2,9% face a 2024, situando-se o acumulado anual em 16,2 milhões de euros", num perfeito balanço entre o aumento da oferta iguala a diminuição do preço, tal como acontece no seu contrário (diminuição da oferta e aumento do preço), desde que a procura se mantenha estável.
O caso do peixe que, na Madeira é quase todo marcado pelo atum e pelo peixe espada-preto. "A evolução positiva observada nas quantidades deveu-se essencialmente ao aumento verificado nas capturas de atum e similares (+39,7%). Por outro lado, as restantes espécies principais registaram quebras. O peixe-espada preto diminuiu 4,7% em quantidade e 8,8% em valor. Quanto à cavala e ao chicharro, uma vez que foram alvo de defeso entre Fevereiro e Julho de 2025, estas espécies registaram quebras substanciais comparativamente ao ano transato", explica.
No caso do peixe-espada preto, "foi a espécie mais abundante em 2025, totalizando 2.192,4 toneladas (61,0% do total de pesca descarregada), seguido do atum e similares, com 1.237,2 toneladas (quota de 34,4%)", ambos totalizando 95,4% do total descarregado. "Em termos de receita na primeira venda, o peixe-espada preto registou um decréscimo de 8,8% face a 2024, totalizando 10,4 milhões de euros, enquanto o atum e similares registou um aumento significativo de 33,9%, fixando-se em 4,7 milhões de euros", reportam os dados.
Lembre-se que estes são preços na lota, pelo que em 2025, "o preço médio de pescado apurado na primeira venda (excluindo-se nestes cálculos o pescado descarregado destinado a autoconsumo) decresceu para 4,59€ (4,83€ em 2024), atingindo, no caso do peixe-espada preto, os 4,84€ (5,05€ em 2024) e, no do atum e similares, os 3,86€ (4,01€ em 2024)", valores que nos principais supermercados podem chegar neste momento a 10 a 13 euros, por vezes mais dependendo da forma como são comprados.
Mesmo o peixe criado e alimentado cá, ou seja na piscicultura, acaba por sair na grande maioria para outros mercados, o que se justifica pelo facto de vender mais e melhor fora. "De acordo com a informação recolhida pela DREM junto das empresas de produção de aquicultura na Região, em 2025, foram produzidas ca toneladas de dourada, +0,1% que em 2024. Por sua vez, as vendas rondaram os 9,1 milhões de euros, crescendo 7,1% face ao ano anterior", atesta.
Como referido, "por mercados, observa-se que 86,6% do valor de vendas diz respeito ao mercado nacional (Continente e Açores) e apenas 13,3% ao mercado regional".