Activista Nobel da Paz iraniana Narges Mohammadi põe fim a greve de fome
A jornalista e prémio Nobel da Paz de 2023 Narges Mohammadi colocou hoje fim à greve de fome que tinha iniciado há seis dias em protesto contra a sua detenção no Irão, informou a Fundação Narges.
A Fundação expressou a sua crescente preocupação com a saúde e segurança da ativista de direitos humanos e das mulheres.
"Narges Mohammadi terminou a sua greve de fome hoje, ao sexto dia, num contexto de relatórios de um estado físico muito alarmante", expressou em comunicado a Fundação Narges, que denunciou uma nova pena de sete anos e meio de prisão decretada no sábado contra a ativista, a décima sentença que recebe desde 2021.
Mohammadi, reconhecida defensora iraniana dos direitos humanos, está detida no cenro de segurança do Ministério de Inteligência da cidade de Mashhad, onde cumpre o seu 59.º dia de detenção depois de ter sido presa no passado dia 12 de dezembro.
Durante semanas esteve em isolamento absoluto e submetida a um bloqueio total de comunicações, até que pôde falar brevemente por telefone com o seu advogado, Mostafa Nili.
A greve de fome, iniciada a 02 de fevereiro, foi interrompida hoje devido à grave deterioração do estado físico da ativista, de 53 anos, cujo historial médico inclui enfartes, hipertensão, dor torácica e problemas de coluna, recordou a Fundação Narges, com sede em Paris.
Segundo o seu advogado, Mohammadi foi transferida para o hospital há três dias, mas foi obrigada a regressar ao centro de detenção antes de completar o tratamento necessário.
A Fundação Narges alertou que a detenção continuada da Prémio Nobel da Paz constitui um risco imediato para a sua vida e constitui uma violação das normas internacionais de direitos humanos, ao impedir o acesso regular a atenção médica especializada e à sua equipa médica habitual.
A preocupação intensificou-se depois de se saber que Mohammadi foi condenada no sábado a sete anos e meio de prisão num novo processo judicial. Segundo informou Nili, a ativista compareceu em tribunal, apesar das objeções do advogado e, em sinal de protesto contra o que considera um julgamento ilegítimo, negou-se a apresentar qualquer defesa.
O tribunal condenou Narges Mohammadi a seis anos de prisão por "conspiração contra a segurança nacional" e a um ano e meio por "propaganda contra o regime", para além de lhe impor dois anos de exílio interno na cidade de Khusf e uma proibição de viajar durante outros dois anos.
Com esta sentença, a ativista acumula penas que superam os 44 anos de prisão, dos quais já cumpriu mais de 17, para além de ter recebido 154 chicotadas por condenações anteriores, segundo a fundação.
O seu marido, o ativista político Taghi Rahmani, garantiu, em comunicado, que a recusa em defender-se responde à convicção de que o sistema judicial iraniano "carece de toda a legitimidade" e qualificou o processo de "julgamento espetáculo com um veredicto predeterminado".
A sua filha Kiana Rahmani expressou a sua "profunda preocupação" pela vida da sua mãe e exigiu a sua libertação imediata.
A Fundação Narges fez um apelo urgente à ONU e à comunidade internacional para que adotem medidas firmes e imediatas face ao que classificam de graves violações dos direitos fundamentais e exigiu a libertação "imediata e incondicional" de todos os presos políticos.