Zelensky apoia operação que leve a mudança de regime em Teerão
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, expressou hoje apoio a "uma operação contra o regime" do Irão, que responsabiliza pelo desaparecimento e assassínio de milhares de pessoas, num momento em que República Islâmica está ameaça de um ataque norte-americano.
"Apoiaria uma operação contra o regime, não contra o povo. Essa é uma grande diferença", declarou Zelensky, segundo um excerto de uma entrevista à estação televisiva Sky News publicada pelos canais oficiais de Kiev.
O líder ucraniano admitiu que a via diplomática "seja melhor", mas manifestou dúvidas sobre a disponibilidade do Irão para negociar, depois de acusar as autoridades de Teerão de perseguirem o seu povo.
"Penso que o povo do Irão procura ajuda para mudar um regime que quer abertamente atacar outros países e causa muitos danos. Este regime está no poder há muitos anos. As pessoas não têm direitos. As pessoas estão a desaparecer. Milhares de pessoas estão a ser mortas e executadas", observou.
As autoridades iranianas reprimiram brutalmente manifestações em todo o país ao longo de janeiro contra o elevado custo de vida e aumento da inflação, que provocaram milhares de mortos e de detenções.
No seguimento dos protestos, o Presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou que iria apoiar os habitantes iranianos, mas acabando por centrar depois as suas ameaças a Teerão no seu programa nuclear.
Trump declarou hoje que não está "nada satisfeito" com o progresso das negociações em curso com o Irão, mas ainda não tomou uma decisão sobre um ataque militar contra a República Islâmica.
Questionado sobre a possibilidade de Washington forçar uma mudança de regime em Teerão, o líder norte-americano negou igualmente que tenha sido tomada qualquer decisão nesse sentido, afirmando apenas de modo evasivo que "pode ??acontecer, pode não acontecer".
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Omã, Sayyid Badr Albusaidi, tem agendada para hoje uma reunião com o vice-presidente norte-americano, JD Vance, e outras autoridades em Washington para discutir as negociações com o Irão, que o sultanato tem vindo a mediar.
Os Estados Unidos e o Irão realizaram na quinta-feira a terceira ronda de negociações nucleares em Genebra, que Teerão considerou ter resultado em "bons progressos", enquanto Washington se manteve praticamente em silêncio.
Ambos os lados concordaram com outra reunião na segunda-feira em Viena, sede da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).
Os Estados Unidos exigem que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, pontos a que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Enquanto decorrem as conversações, o porta-aviões "USS Gerald R. Ford" tem prevista para hoje a chegada com a sua escolta naval ao largo da costa norte de Israel, juntando-se ao "USS Abraham Lincoln" que já se encontrava no Médio Oriente, onde está preparado o maior contingente militar dos Estados Unidos na região desde a invasão do Iraque em 2003.
Donald Trump reiterou hoje que as ações militares que ordenou no passado contra o Irão foram executadas de forma impecável, como a que matou o general Qasem Soleimani em 2020 e a "Operação Martelo da Meia-Noite" em junho passado e que visou instalações nucleares iranianas.