Dormidas no alojamento turístico caem pela primeira vez em quase 5 anos
Em Janeiro de 2026, algo que não acontecia desde Abril de 2021.
Há muito tempo que não se assistia a um decréscimo no alojamento turístico na Região Autónoma da Madeira, nomeadamente nas dormidas, apesar de o número de hóspedes entrados continuar em alta. Segundo dados divulgados hoje pela DREM, em conjunto com o INE, "o alojamento turístico registou, no mês de Janeiro de 2026, a entrada de 137,4 mil hóspedes, os quais geraram 772,8 mil dormidas, traduzindo-se em variações homólogas opostas: +3,1% nos hóspedes entrados e -0,4% nas dormidas", fria a Direção Regional de Estatística da Madeira. "De sublinhar que, excluindo o alojamento local com menos de 10 camas, as dormidas do alojamento turístico registaram um decréscimo homólogo de 3,0%, variação contrária à verificada a nível nacional (+2,0%)", assinala.
Neste primeiro mês do ano, "o segmento da hotelaria concentrou 69,9% das dormidas (540,2 mil), decrescendo 3,2% em termos homólogos", enquanto "o alojamento local (28,0% do total) subiu 7,4%" e "o turismo no espaço rural (2,1% do total) desceu 0,2%". E acrescenta: "De notar, que a se confirmar esta tendência nas revisões futuras dos dados de janeiro de 2026, a mesma constituirá a primeira quebra no número de dormidas na Região desde Abril de 2021, altura em que a pandemia da COVID-19 penalizava fortemente a atividade turística em todo o Mundo."
Outros indicadores também sofrem com este 'evento'. "A taxa líquida de ocupação-cama do alojamento turístico na Região, no mês em referência, foi de 49,6%, -3,8 pontos percentuais (p.p.) face ao observado no mês homólogo (53,4%). Por sua vez, a taxa de ocupação-quarto atingiu os 57,5% (62,5% em janeiro de 2025)" e "no mês de janeiro de 2026, a estada média no conjunto do alojamento turístico fixou-se em 4,72 noites (4,93 em janeiro de 2025). Os valores mais elevados continuam a ser observados na hotelaria (4,77 noites) e no alojamento local (4,70 noites), seguidos pelo turismo no espaço rural, que apresenta a estada média mais baixa, com 3,66 noites", revela.
Mas no que toca a dinheiro em caixa, tudo na mesma. A DREM salienta que "em janeiro de 2026, os proveitos totais e os proveitos de aposento registaram crescimentos homólogos de 8,8% e 8,0%, respetivamente, fixando-se, pela mesma ordem, em 54,7 milhões de euros e 37,2 milhões de euros. No conjunto do País, e no mesmo mês, os proveitos totais e os proveitos de aposento registaram igualmente um crescimento em termos homólogos, ainda que de menor intensidade, situando-se ambos em +5,6%", aponta.
Ou seja, o sector continua a extrair rendimentos da procura turística, apesar da quebra nas dormidas. "No mês de janeiro de 2026, o rendimento médio por quarto disponível (RevPAR) rondou os 64,91 euros no conjunto do alojamento turístico (excluindo o alojamento local abaixo das 10 camas), +2,8% que no mesmo mês do ano precedente. Por sua vez, o rendimento médio por quarto utilizado (ADR) no alojamento turístico passou de 101,09€, em janeiro de 2025, para 112,83€, em janeiro de 2026 (+11,6% de variação homóloga)", calcula.
Por mercados emissores de turistas, é de realçar que os 10 principais "representavam 82,2% do total das dormidas registadas em janeiro de 2026. Destacaram-se, com um peso superior, o Reino Unido (20,1% do total; -5,2% que em janeiro de 2025), a Alemanha (19,0%; -4,3%) e Portugal (17,8%; +19,2%). Na quarta posição, em termos de peso relativo no total de dormidas, encontrava-se o mercado polaco (9,5%; -9,3%), seguido pelo mercado neerlandês (3,5%; +0,8%)", sendo este o único dos 4 maiores mercados de turistas que aumentou.