Irão diz que acordo nuclear com EUA está "ao alcance"
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou hoje que um acordo sobre o programa nuclear de Teerão com Washington está "ao alcance", dias antes de novas negociações com os Estados Unidos em Genebra, Suíça.
O Irão retomará as negociações "determinado a chegar a um acordo justo e equitativo o mais rapidamente possível", afirmou Abbas Araghchi numa mensagem publicada na rede social X.
Teerão e Washington devem realizar na quinta-feira, na cidade suíça de Genebra, uma terceira ronda de negociações centradas no programa nuclear iraniano, após terem retomado o diálogo em 06 de fevereiro, em Omã.
Araghchi referiu que esta é uma "oportunidade histórica para concluir um acordo sem precedentes que tenha em conta as preocupações iranianas e interesses mútuos".
O chefe da diplomacia do Irão frisou ainda que "um acordo está ao alcance, mas apenas se a diplomacia for privilegiada".
Também o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Majid Takht-Ravanchi, assegurou hoje que a República Islâmica está pronta para "fazer tudo o que for necessário" para chegar a um acordo nuclear com os Estados Unidos "o mais rápido possível".
"Queremos fazer tudo o que for necessário para que isso aconteça. Entraremos na sala de negociações em Genebra com toda a sinceridade e boa vontade", afirmou em declarações à rádio pública norte-americana NPR.
O representante iraniano adiantou que as negociações se centram exclusivamente no programa nuclear.
"A única questão nas negociações em Genebra é o tema nuclear", acrescentou.
As discussões anteriores entre Teerão e Washington foram interrompidas em junho de 2025 pela guerra de 12 dias desencadeada por Israel contra o Irão, à qual os Estados Unidos se associaram, bombardeando instalações nucleares iranianas.
Na semana passada, após a última ronda de negociações em Genebra mediadas por Omã, Teerão garantiu ter chegado a acordo com Washington sobre "um conjunto de princípios orientadores" para um eventual compromisso entre os dois países, mas o vice-presidente norte-americano, JD Vance, salientou que persistiam divergências sobre as "linhas vermelhas" de Washington.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, indicou na quinta-feira ter fixado um prazo de "10 a 15 dias" para decidir se recorre ou não à força contra Teerão.
Apesar de o novo aviso, Araghchi considerou no domingo que existem "boas hipóteses de alcançar uma solução diplomática em moldes mutuamente vantajosos".
No centro das divergências está o programa nuclear iraniano, que os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam de estar a ser utilizado para produzir armas nucleares.
O Irão nega essa intenção e defende que o seu enriquecimento de urânio é para uso civil.
Araghchi lidera as negociações pelo lado iraniano, enquanto os Estados Unidos têm sido representados pelo enviado da Casa Branca Steve Witkoff e pelo genro do Presidente norte-americano, Jared Kushner.