França justifica contactos com Rússia por Europa ser principal apoio da Ucrânia
O ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot, justificou hoje os contactos diretos com a Rússia por estar em jogo a segurança europeia e porque a Europa é o principal apoio da Ucrânia.
Numa entrevista à emissora France Inter, Barrot sublinhou que "França nunca excluiu, por princípio, ter relações com a Rússia", mas fá-lo "com transparência" em relação à Ucrânia e "desde que seja útil".
Segundo o ministro, esta utilidade mede-se quando "está em jogo a (...) segurança" europeia e porque "a Europa se tornou o principal suporte da Ucrânia, sem qualquer comparação possível, o primeiro apoio financeiro, o primeiro apoio militar, e é normal que a Europa possa dispor de um canal independente de contacto com a Rússia".
Barrot não quis confirmar, contudo, o encontro no início da semana passada em Moscovo entre Emmanuel Bonne, conselheiro diplomático do Presidente francês, e o homólogo russo, Yuri Ushakov, divulgado pela imprensa francesa.
Limitou-se a recordar que no verão houve uma conversa telefónica entre o Presidente francês, Emmanuel Macron, e o russo, Vladimir Putin, e que "há contactos entre diplomatas", mas sem precisar se está a ser preparada uma reunião entre os dois mandatários, como correm alguns rumores.
Na próxima terça-feira, Macron e o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, copresidem uma nova reunião, neste caso virtual, da chamada coligação de 35 países que preparam garantias de segurança para Kiev, caso se chegue a um cessar-fogo ou a um acordo de paz com Moscovo.
Não está prevista qualquer presença norte-americana, confirmaram fontes do Eliseu, ao contrário do que aconteceu na anterior reunião da coligação, a 06 de janeiro, em Paris.
As garantias de segurança estão estruturadas em três níveis, sendo o fundamental e mais importante o fortalecimento do exército ucraniano como primeira linha de defesa.
Também está prevista o envolvimento direto dos países da coligação na proteção do espaço aéreo, marítimo e terrestre, e o apoio dos Estados Unidos no caso de, após o esperado cessar-fogo, existir uma retoma das hostilidades.