Casas vazias pressionam falta de habitação
Maria João Monte defende pacto administrativo e gestão eficiente para colocar imóveis devolutos no mercado
Maria João Monte, presidente do Instituto de Desenvolvimento Regional, alertou para o impacto das casas vazias: “Portugal tem cerca de 12% do parque habitacional sem utilização, não incluindo segunda habitação. Deste total, cerca de 30% precisaria de reabilitação para ser habitável. Um proprietário que prefere uma casa vazia representa uma ineficiência de mercado.” A dirigente defendeu que decisões administrativas e um pacto de regime para a habitação podem colocar esses imóveis de volta no mercado, lembrando que “muitas soluções não passam só pelo financiamento, mas também pela gestão e regulação administrativa”.
No painel “Caracterização e contextualização da habitação na RAM”, Maria João Monte sublinhou a responsabilidade do planeamento macro-regional e a necessidade de optimizar os mecanismos de financiamento disponíveis para responder às prioridades da habitação na região. A dirigente explicou que, num passado recente, um plano de construção de 121 fogos permitiria atender 31% das carências habitacionais, mas a implementação do PRR provocou um aumento dos preços. “A procura de grandes obras públicas em 2023, 2024 e 2025 levou a uma grande escalada, a par da habitação de luxo”, apontou, acrescentando que parte da habitação construída no âmbito do PRR destina-se à habitação social e outra parte a preços acessíveis.