Funchal soma 2.800 inscritos para voto antecipado
Uma das novidades desta segunda volta das eleições Presidenciais prende-se com o boletim de voto: as fotografias dos dois candidatos surgem a cores
Mais de 2.800 eleitores inscreveram-se para votar antecipadamente só no Funchal, um aumento "muito significativo" face à primeira volta. No Edifício da Reitoria, no Colégio dos Jesuítas, as filas compõem-se de estudantes, famílias e de quem não quer arriscar falhar a escolha do próximo Presidente da República.
Se na primeira volta o voto antecipado em mobilidade serviu de ensaio, nesta segunda ronda a adesão foi a valer. Quem passou, este domingo, pela Rua do Castanheiro, no Funchal, encontrou um movimento atípico para uma manhã de fim-de-semana, com muitos a se dirigirem até ao edifício da Reitoria da Universidade da Madeira (UMa) com um objectivo claro: garantir, desde já, a sua escolha para a Presidência da República.
Os números não enganam. Dos 3.951 inscritos em toda a Região para este voto antecipado, cerca de 2.800 concentram-se no concelho do Funchal. Um salto expressivo face aos cerca de 1.600 registados na primeira volta.
Carlos Caldeira, homem experiente nestas andanças e presidente de uma das mesas de voto da freguesia de São Martinho - a maior do Funchal, da Madeira e, inclusive, das Regiões Autónomas, confirmou o cenário. "O aumento é significativo, muito significativo", começa por explicar ao DIÁRIO.
Com o aumento desta adesão em votar com uma semana de antecedência, Carlos Caldeira justifica esta corrida às urnas uma semana antes do dia 8 de Fevereiro como uma mudança de mentalidade. O voto antecipado deixou de ser apenas para quem viaja.
Cerca de 309 mil inscritos no voto antecipado, mais 90 mil do que na 1.ª volta
Na Região Autónoma da Madeira foram quase 4 mil eleitores
Há uma maior consciencialização. As pessoas fazem o voto antecipado para não comprometerem a sua possibilidade de votar. Se por acaso falharem hoje, ainda têm a possibilidade de, no próximo domingo, ir à sua mesa de recenseamento habitual. Estão a empenhar-se em não deixar de exercer o seu direito.
Nas arcadas do antigo Colégio dos Jesuítas, o ambiente é de diversidade. Cruzam-se estudantes, muitos cidadãos do Porto Santo deslocados na ilha maior, e famílias inteiras que aproveitam o passeio de domingo. "Os motivos são diversos: ou motivos profissionais, ou porque vão viajar, ou apenas para assegurar o voto", nota o responsável.
Boletim a cores ajuda, envelopes nem tanto
Uma das novidades desta segunda volta das eleições Presidenciais prende-se com o boletim de voto. As fotografias dos dois candidatos surgem a cores - e tem sido uma ajuda preciosa, especialmente para a população mais idosa ou com maiores dificuldades de leitura. "Facilita muito", garante Carlos Caldeira. "As pessoas, com a cara do candidato, associam e votam mais facilmente".
No entanto, a ausência de símbolos partidários, uma vez que se trata de uma eleição unipessoal, ainda gera alguma confusão. "Não é a primeira vez que as pessoas chegam, olham e perguntam: 'Ah, mas porque não está aqui o partido?'. Temos de explicar que aqui vota-se no candidato".
Se o boletim ajuda, a "logística" dos envelopes continua a ser o maior desafio do voto em mobilidade. O processo exige colocar o boletim num envelope branco, e esse envelope branco dentro de um envelope azul.
"Causa algum atrapalho", admite Carlos Caldeira. "Quem vem pela primeira vez tem necessidade de explicação. O processo parece complexo, mas depois de se fazer uma vez, deixa de o ser".
Contas só no dia 8
Ao contrário do que acontece na eleição normal, hoje não haverá contagem de votos, nem projecções. As urnas, seladas e lacradas, guardam os envelopes - os tais azuis - que só serão abertos no domingo, dia 8 de Fevereiro.
"Hoje, o nosso processo de contabilização é apenas dos subscritos. No dia 8, estes serão os primeiros votos a entrar na urna", confirma Carlos Caldeira, antes de voltar ao seu local para ajudar os eleitores que, entretanto, chegam a uma de duas mesas de São Martinho - e que conta, ao todo, com cerca de 500 inscritos para esta segunda volta. Na primeira foram, sensivelmente, menos 150.
Já o pico da afluência registou-se perto das 11h30, mas espera-se novo fluxo intenso durante a tarde, entre as 14h00 e as 17h00, horário em que muitos madeirenses aproveitam para cumprir o dever cívico antes ou depois do passeio de domingo.