Pesadelo em Easyjet Street
Não sou contra as greves, desde que bem fundamentadas.
Nem sou, obviamente, a favor de atentados que belisquem os direitos dos trabalhadores. Mas proponho que os passageiros que tiveram viagens marcadas pela segunda maior companhia aérea a operar em Portugal façam greve à Easyjet, porque a minha mãe ensinou-me que não devia andar em más companhias. Estive vários dias ao telefone com os amáveis funcionários do call centre, uns simpáticos que me tratam como se tivesse andado com eles a tomar café. Sabe, Cristina, vamos resolver o seu problema. Não, não vão. Não, não resolveram. Sim, só pioraram o estado da minha veia do meio da testa, latejando tanto como a do outro quando apanhou o avião. (Esse pelo menos tem um avião dele para ir embora quando quer).
Raios me partam a viagem que há três meses custou 70 euros quando a da TAP estava perto dos 300 para os mesmos dias e mesmas horas. E quando se diz que o barato sai caro, é porque de facto a coisa acontece. O barato saiu mais caro do que alguma vez imaginei. Lá avisaram os passageiros que tinham direito a noite por conta da companhia nos dois sentidos dos voos. Nada mau, não fosse o facto de, de cinco passageiros, um ter ficado despregado da reserva-mãe, porque alguém não gostou da cor do cabelo, sei lá. Esse passageiro teria de ir mais cedo do que o resto do grupo, não fosse ter ficado uma tarde inteira no aeroporto (que por acaso estava operacional) e depois, com a maior cara de pau do mundo disseram… volte amanhã! E o passageiro voltou, para se juntar ao resto do grupo com quem ia viajar para fora de Lisboa. Esses quatro que tiveram a sorte (!) de chegar a Lisboa souberam que afinal tinham de procurar abrigo, porque alguém deu uma informação mal dada e teriam de escalar para a supervisão para ver de quem era a culpa. %#&/%$%”())=. Tradução livre. Até hoje, ainda ninguém sabe o teor da gravação, mas a polícia vai encarregar-se de saber.
A coisa deu para o torto desde o início. A começar por me dizerem que não eram eles que estavam em greve e que se tivesse queixas as devia fazer ao pessoal de voo. Grande resposta! Conheci o Guilherme, a Valentina, o Victor e a Marlene, mas só me lembro do nome desses, porque foi com quem estive mais de uma hora ao telefone, entre esperar que me atendessem e tentar resolver a questão.
Posto isto, estou de hotel em Lisboa de passagem para a Madeira, mas até descobrir onde ia dormir ao vir para a capital hoje, o call centre desligou-me a gravação na cara três vezes porque eu falava madeirense e a máquina dizia “não entendi. Adeus!” s&(”#$%&* = tradução livre, para bom entendedor. Espero chegar a casa ainda esta semana. Quanto aos grevistas, estou solidária. Façam as paragens que quiserem, porque eu não volto a meter os pés num avião vosso. Porque já estou naquela idade em que escolho as companhias. Já entenderam? Adeus!