Quase mil detidos durante manifestações em França
Quase mil pessoas foram detidas durante as manifestações de hoje em França, num balanço ainda provisório, segundo o ministro do Interior, que sublinhou que a intervenção policial permitiu evitar pilhagens e ataques a edifícios públicos.
Em declarações aos jornalistas, transmitidas pela televisão BFMTV, o ministro Laurent Nuñez indicou que as detenções superam as 385 registadas no sábado passado.
"Penso que este número ainda vai aumentar significativamente", adiantou.
O governante congratulou-se por as manifestações terem decorrido "bem, enquadradas pelas forças de segurança interna", mas salientou que, "como tinham antecipado, formaram-se grupos de risco".
A maioria dos incidentes foram causados por militantes de "ultraesquerda e de extrema-esquerda" em cidades como Paris, Marselha, Nantes, Rennes, Tours, Bordéus, Dijon, Grenoble, Marselha e Toulouse, afirmou.
No entanto, também referiu que em Nice e Montpellier se registou a "presença de militantes da extrema-direita que procuravam confrontar militantes da extrema-esquerda ou, pelo menos, proteger as lojas", algo que disse ser inédito.
Nuñez garantiu que "o dispositivo de segurança permanece em vigor até muito tarde esta noite" para "evitar que os grupos se dispersem e tentem chegar aos centros das cidades para cometer saques".
Segundo o Ministério do Interior, participaram nas manifestações de hoje, em França, 410 mil pessoas, mas o sindicato CGT estimou que o número seja quase o dobro, 800 mil.
Nuñez referiu que as forças de segurança enfrentaram "um nível de violência extremamente elevado" dos manifestantes violentos, sendo alvo de projéteis e fogo de artifício.
O ministro sublinhou que a ação policial evitou numerosas pilhagens e que não se registaram, ao contrário da semana anterior, ataques contra edifícios públicos, câmaras municipais ou esquadras da polícia.
Ainda assim, reconheceu terem ocorrido "algumas degradações e pilhagens de estabelecimentos comerciais" em certas cidades, embora em número "muito limitado".
Nuñez confirmou duas pessoas gravemente feridas, em Clermont-Ferrand e Toulouse, mas defendeu que as forças de segurança atuaram "com grande proporcionalidade" e dentro das regras.
"Não me foi comunicado, até agora, nenhum gesto desproporcionado", afirmou, admitindo que poderão ser abertos inquéritos.