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A idade não pode ser um factor de exclusão e de incapacidade

Hoje comemora-se internacionalmente o Dia da Pessoa Idosa. Há vários instrumentos jurídicos como a Carta dos Direitos da União Europeia que tem força de lei em todo o espaço Europeu. Existem também outros instrumentos Jurídicos a nível Mundial que dizem que as Pessoas Idosas devem viver em segurança e com dignidade.

O que estes instrumentos jurídicos regulam é que a sociedade esteja preparada para acolher todas as pessoas de qualquer idade. Que o desenvolvimento individual ao longo da vida e a relação entre gerações seja feita de forma harmoniosa, por forma a que envelhecer seja um privilégio para todos e não um fardo, como muitas vezes acontece, com quem já ultrapassou a chamada idade legal para ser considerada idosa.

Existe ainda muito preconceito em relação à idade. Há mesmo um pensamento idadista, que se estende a muitos quadrantes da sociedade, só porque as Pessoas Idosas foram jovens bem-sucedidas na vida e, por isso, é que têm o privilégio de envelhecer, de forma harmoniosa, com todos os desejos, enquanto seres humanos vivos e com vontade de viver.

Sabemos que nem todos os seres humanos, infelizmente, têm esse privilégio e partem cedo demais. Há outros que por terem condições físicas limitadas, precisam de apoio especializado, que lhes deve ser proporcionado pelos Estados, a quem as pessoas pagaram impostos e trabalharam toda a sua vida.

Viver cada vez mais, com boa qualidade de vida, devia ser uma honra e um objetivo a atingir pela maioria das pessoas que estão vivas. O direito a ser feliz nunca devia ter uma idade definida pois a qualquer altura da sua vida, tenha a idade que tiver, as pessoas podem fazer o que lhes apetecer e o que lhes der prazer, sem precisarem da aprovação de ninguém, a não ser delas próprias. A sociedade e as famílias deviam ter muito orgulho dessas pessoas e incentivá-las a ser felizes fazendo o que gostam.

Em anos anteriores já escrevi sobre este tema e apresentei muitas sugestões, muitas de caracter reivindicativo, que sinteticamente gostaria de lembrar: ter pensões decentes, que possam enfrentar os custos dos medicamentos, cada vez mais caros, e o custo de vida, para poder viver decentemente e não ficar dependente de esmolas e de caridade.

Sabemos que quanto mais idade atingimos é natural que precisemos de mais assistência médica, mas essa devia ser proporcionada tendo em conta as condições financeiras das pessoas mais velhas e que estas não tenham que fazer uma opção quando vão à farmácia, comprando apenas o medicamento mais necessário, porque não têm dinheiro para pagar a receita toda.

Valorizar as pensões, como há muito tempo devia ter sido feito, e colocar um teto mínimo nas mesmas, sendo que ninguém devia receber uma pensão abaixo do salário mínimo, seria uma medida de extrema justiça para ajudar a que mais Pessoas Idosas sejam autónomas o máximo de anos das suas vidas e não tenham que andar dependentes de outras pessoas ou ajudas.

Para mim é um orgulho poder estar a escrever este artigo, e espero escrever outros, enquanto a minha cabeça me ajudar. Tenho orgulho na minha idade e na minha curiosidade intacta em perceber o que se passa à minha volta, a todos os níveis. Sou uma pessoa que, enquanto puder, vou viver sempre questionando o que me parecer não estar bem, até porque só assim sou feliz neste mundo carecido de mais luz e verdade.