Corina Machado saúda libertação de prisioneiros políticos sublinhando que "a injustiça não será eterna"
A líder da oposição venezuelana Maria Corina Machado considerou hoje que "a injustiça não será eterna", saudando a libertação de presos políticos menos de uma semana após a captura do presidente Nicolás Maduro pelo exército americano.
"Hoje, a verdade, perseguida e silenciada durante anos, consegue abrir caminho", disse a laureada com o Prémio Nobel da Paz de 2025, num áudio publicado nas redes sociais.
"Mas este dia importa. Porque reconhece o que sempre soubemos: que a injustiça não será eterna e que a verdade, mesmo muito ferida, acaba por abrir caminho", acrescentou.
A Venezuela anunciou hoje a libertação de "vários presos", entre eles a famosa advogada e ativista Rocio San Miguel, sob pressão de Washington. Este anúncio ocorre poucos dias depois do início, na segunda-feira, do mandato da presidente interina, Delcy Rodriguez.
Trata-se da primeira vaga de libertações desde a captura, em Caracas, do presidente deposto, que Washington pretende levar a julgamento nos Estados Unidos, nomeadamente, narco terrorismo.
Estas libertações são um "gesto unilateral do governo" para "favorecer a coexistência pacífica", afirmou por sua vez Jorge Rodriguez, o presidente do Parlamento da Venezuela, sem especificar o número nem a nacionalidade dos detidos libertados.
A ONG Foro Penal, que avaliou em 806 o número de prisioneiros políticos na Venezuela atualmente, dos quais 175 militares, congratulou-se com a "boa notícia".
Familiares de centenas de detidos começaram a dirigir-se aos centros de detenção na esperança de que os seus entes queridos estejam entre as pessoas libertadas.
Um primeiro grupo chegou ao famoso centro de detenção de El Helicoide, sede dos serviços de informação em Caracas.
"Tive medo, muito terror, muita ansiedade pela vida deles (...). Estou nervosa. Deus queira que seja uma realidade", afirmou à agência de notícias francesa, AFP, Atali Cabrejo, que espera a libertação do seu filho Juan José Freites, dirigente do partido Vente de Mme Machado.
"Não descansaremos enquanto todos os prisioneiros não estiverem livres e todo a Venezuela não puder abraçar-se numa plena democracia e liberdade", concluiu Mme Machado na sua mensagem.