Presidente Maduro declara-se inocente perante tribunal de Nova Iorque
PEUAróxima audiência está marcada para 17 de Março
O Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, declarou-se hoje inocente na sua primeira aparição perante um tribunal de Nova Iorque, após ter sido capturado pelas autoridades norte-americanas.
"Sou inocente. Não sou culpado de nada do que foi aqui mencionado", afirmou Maduro, ao ser questionado sobre como se declarava, quando foi presente, pela primeira vez, a um juiz de Nova Iorque e dois dias depois de ter sido detido em Caracas no âmbito de uma operação conduzida por forças especiais dos Estados Unidos, cujos contornos continuam a ser contestados por Caracas.
Barry Pollack, advogado do Presidente venezuelano, esclareceu perante o juiz que "por enquanto não pedirá fiança" para Maduro, embora não tenha descartado fazê-lo mais tarde.
Desafiador, Maduro proclamou-se "Presidente do seu país" ao protestar contra a captura e ao declarar-se inocente das acusações federais de tráfico de droga que o Governo do Presidente Donald Trump usou para justificar a retirada à força do país.
"Fui capturado", disse Maduro em espanhol, traduzido por um repórter presente no tribunal, antes de ser interrompido pelo juiz.
A comparência em tribunal dá início ao processo mais importante do Governo norte-americano em décadas contra um chefe de Estado estrangeiro.
O caso criminal em Manhattan desenrola-se tendo como pano de fundo diplomático uma audaciosa mudança de regime orquestrada pelos EUA, que o Presidente norte-americano, Donald Trump, argumentou permitir a Washington controlar o país sul-americano.
Maduro, envergando um uniforme azul de recluso, foi conduzido ao tribunal juntamente com a mulher, Cilia Flores, também arguida, pouco antes do meio-dia para o breve procedimento legal.
Ambos colocaram auscultadores para ouvir o processo em inglês enquanto era traduzido para espanhol.
Cilia Flores apareceu em tribunal com a têmpora e a pálpebra enfaixadas.
O advogado Mark E. Donnelly disse que Flores sofreu "ferimentos significativos" durante a captura e disse acreditar que a suspeita tem uma fratura ou contusões graves nas costelas.
O juiz ordenou aos procuradores para garantirem que Flores recebe o tratamento adequado.
A mulher de Maduro é também acusada de aceitar centenas de milhares de dólares em subornos em 2007 para intermediar um encontro entre "um grande traficante de droga" e o diretor do Gabinete Nacional Anti-Droga da Venezuela, resultando em subornos mensais adicionais, de acordo com a acusação.
A próxima audiência está marcada para 17 de março.
Na sequência do ataque e da retirada de Maduro do país, a vice-presidente executiva, Delcy Rodríguez, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas venezuelanas.
A comunidade internacional dividiu-se entre a condenação ao ataque dos Estados Unidos a Caracas e saudações pela queda de Maduro.
A UE defendeu que a transição política na Venezuela deve incluir os líderes da oposição Maria Corina Machado e Edmundo González e o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região, mostrando-se preocupado com a possível "intensificação da instabilidade interna" na Venezuela.