Marinha deu "primeiro passo" na construção do navio que leva quase tudo até alto mar
A Marinha portuguesa deu ontem o "primeiro passo" na construção do navio reabastecedor Luís de Camões que levará quase tudo até alto mar, desde combustível a bens e pessoal, numa parceria com as indústrias da Turquia.
"Hoje [ontem] é um dia muito importante para Portugal e para a Marinha, porque demos o primeiro passo para a construção de navios, que não são apenas navios reabastecedores, são navios logísticos, eu diria quase polivalentes", realçou o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, à margem da cerimónia que assinalou o início da construção do Navio da República Portuguesa (NRP) Luís de Camões, nos estaleiros da ADA, na Turquia.
Este é o primeiro de dois navios reabastecedores que vão reforçar a Marinha portuguesa -- o segundo será batizado D. Dinis -- e que têm chegada prevista a Portugal em abril e dezembro de 2028.
O NRP Luís de Camões vai permitir levar até alto mar quase tudo: combustível para reabastecer navios e aeronaves, permitindo que as missões continuem sem necessidade de deslocações ao porto, mas também água potável, carga sólida geral e munições, além de oferecerem apoio logístico diversificado e funções hospitalares acrescidas para situações de catástrofe.
A aquisição resultou de um contrato assinado entre a Marinha Portuguesa e a empresa turca STM, com construção nos estaleiros da ADA, e vai permitir a Portugal recuperar uma capacidade que perdeu em 2020, com o abate do "Bérrio".
Nuno Melo assinalou que a construção do navio, feita em território turco, será também feita em Portugal, através da incorporação de tecnologia de comunicações e sistemas, combinando conhecimentos portugueses com a indústria turca.
"O resultado é uma nova classe de embarcações de última geração que estabelece um padrão a ser seguido por outras", assinalou na sua intervenção.
Esta é a primeira vez que a Turquia, membro da NATO, exporta este tipo de navio para um membro da Aliança e da União Europeia, circunstância assinalada nos vários discursos dos representantes turcos presentes.
O ministro da Defesa do país, Yasar Güler, destacou o significado da parceira com Portugal, uma nação, à semelhança da sua, com tradição marítima, e realçou que num período de "incertezas globais crescente", com "incertezas multidimensionais e riscos para a segurança marítima", este tipo de colaboração é "mais importante do que nunca".
Também o Secretário das Indústrias da Defesa da Turquia, Haluk Görgün, salientou que em "tempos desafiantes" a solidariedade entre aliados releva particular importância, e que este é "apenas o início" de uma "jornada muito maior" com Portugal, antecipando mais parcerias em breve.
A cerimónia assinalou o assentamento da quilha do navio, estrutura considerada a "espinha dorsal" de uma embarcação, que vai desde a proa até à popa, e na qual foi cunhada uma moeda com a imagem do poeta Luís de Camões, como gesto simbólico de boa sorte e proteção da guarnição.
O Chefe do Estado-Maior da Armada, almirante Nobre de Sousa, presente na cerimónia, disse estar em causa um "momento de júbilo" e destacou que este tipo de navios permite uma "Marinha oceânica" e não costeira, pelas funcionalidades que serão levadas até alto mar.
"Aquilo que nos une ao oceano, aquilo que nos une também, nas voz de outro grande poeta, é a língua, e este navio vai permitir unir as parcelas do nosso território e da diáspora, e nada melhor do que ser batizado com o nome de Camões, que é o nosso poeta maior", enalteceu.
O custo do navio ronda os 100 milhões de euros por unidade, e as verbas serão da Lei de Programação Militar (LPM), com Nuno Melo a destacar a aquisição abaixo do preço de mercado.
Com 137 metros de comprimento, estes navios atingem uma velocidade máxima superior a 18 nós e contam com propulsão híbrida, combinando sistemas diesel e elétricos.
A guarnição será composta por 50 militares, havendo possibilidade para alojamento extra de mais 50 e capacidade temporária para mais de 100 pessoas.