DNOTICIAS.PT
Artigos

Engenharia, Autonomia e o que vem a seguir!

Iniciamos 2026 com esperança renovada e a consciência de que cada novo ano é uma oportunidade de recomeçar, inovar e fazer a diferença. Mais do que projetar o ano, importa refletir sobre o caminho percorrido desde a criação das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores, há 50 anos, e sobre o impacto decisivo da adesão de Portugal à Comunidade Europeia, há 40 anos. Urge pensar e planear os próximos 50 anos, tema que servirá de mote à exposição da Região Madeira da Ordem dos Engenheiros (RMOE) durante 2026 – Madeira e Porto Santo Séculos de Engenharia.

A Engenharia teve um papel determinante neste percurso, contribuiu para a melhoria das condições de vida das populações, com a construção de infraestruturas e equipamentos, potenciados pelos fundos estruturais da União Europeia, impulsionou o desenvolvimento económico e a abertura da Região ao mundo.

É inegável que hoje estamos melhor, como reconheceu Ursula von der Leyen no 40.º aniversário da adesão de Portugal à UE ao destacar, entre outros aspetos positivos, o papel pioneiro do país nas energias renováveis, na inovação e nas start-ups. Contudo, e apesar de uma evolução globalmente positiva, surgiram desafios nos últimos anos que afetaram a qualidade de vida dos madeirenses, exigindo soluções estruturadas em áreas como mobilidade, externa e interna, turismo sustentável e habitação a preços compatíveis com os rendimentos dos locais. É crucial implementar estratégias que assegurem um desenvolvimento equilibrado e sustentável para as próximas cinco décadas.

Quanto à acessibilidade interna, a saturação de algumas vias impõe repensar a mobilidade, recorrendo a soluções alternativas, eficientes e sustentáveis, suportadas por estudos e planeamento de médio prazo. Também o turismo enfrenta novos desafios, exigindo uma gestão ajustada à capacidade, que vai para além das medidas de controlo já preconizadas, visando a qualidade e valor da oferta, integrando os custos ambientais e a pressão sobre recursos essenciais como água, energia e resíduos, setores-chave e relevantes em contexto insular. A internalização destes custos no sector, poderá ditar a redefinição da estratégia de curto/médio prazo. A inflação do preço da habitação, agravada pelo alojamento local e pela construção direcionada para não residentes, exige respostas estruturais que vão além das 805 casas ao abrigo do PRR.

Acrescem ainda os riscos geopolíticos, que reforçam a necessidade de maior autonomia regional, nomeadamente ao nível alimentar, onde o setor primário da RAM apresenta elevado potencial estratégico.

Num contexto de rápidas transformações — alterações climáticas, transição energética, mobilidade sustentável, digitalização e inteligência artificial — a engenharia assume um papel central. Em 2026, a RMOE reforçará o seu compromisso com a Sociedade, através de conferências e debates públicos sobre estas temáticas, mantendo independência, responsabilidade e visão na construção do futuro.