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Obama apela a "reacção" face a "ataques" contra valores fundamentais dos EUA após nova morte pelo ICE

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O antigo presidente norte-americano Barack Obama considerou a morte de mais um cidadão norte-americano por agentes do ICE, em Minneapolis, uma "tragédia desoladora" e apelou a uma "reação" face aos "ataques" perpetrados conrta os valores fundamentais dos Estados Unidos.

"Cabe a cada cidadão levantar-se contra a injustiça, de proteger as nossas liberdades fundamentais, e responsabilizar o nosso governo", refere Barack Obama, num comunicado citado pela Agência France Presse, no qual critica a administração de Donald Trump, "ansiosa por agravar a situação".

Agentes da polícia anti-imigração dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês) mataram no sábado de manhã um homem na cidade de Minneapolis, estado do Minnesota.

Mais tarde ficou a saber-se que se tratava de Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, um enfermeiro de cuidados intensivos da Administração de Veteranos, departamento governamental que lida com assuntos dos veteranos de guerra.

Alex Pretti era um cidadão norte-americano, nascido no estado do Illinois. Tal como Renee Good, não tinha antecedentes criminais e a família contou à agência de notícias Associated Press que nunca tinha tido interações com a polícia, excetuando algumas multas de trânsito.

Entretanto, as autoridades federais norte-americanas anunciaram que o agente que matou a tiro Alex Pretti tem oito anos de experiência na Patrulha Fronteiriça dos Estados Unidos (USBP, na sigla em inglês), "possui vasta formação como agente de segurança em campos de tiro e como agente especializado no uso de armas não letais".

Um alto funcionário da USBP, Greg Bovino, numa conferência de imprensa em Minneapolis no sábado, referiu que o tiroteio aconteceu às 09:05 locais (15:05 em Lisboa), quando agentes realizavam uma operação contra um "imigrante indocumentado", chamado José Huerta Chuma, que "tinha antecedentes de violência doméstica e perturbação da ordem pública".

Durante a operação "um homem aproximou-se dos agentes da patrulha fronteiriça com uma pistola semiautomática de nove milímetros, os agentes tentaram desarmá-lo, mas este resistiu violentamente", relatou, acrescentando que, "temendo pela sua vida e dos seus companheiros, um agente disparou em legitima defesa".

Vários vídeos do analisados pela Associated Press, que mostram um agente ICE a disparar contra Alex Pretti, após uma altercação de cerca de 30 segundos, contradizem essa versão.

Nos vídeos, o cidadão é visto apenas com um telemóvel na mão, descreve a agência de notícias. Durante a luta, os agentes descobriram que ele estava na posse de uma pistola semiautomática de 9 mm e abriram fogo com vários tiros.

De acordo com a família, o enfermeiro possuía uma arma, para a qual tinha licença de porte oculto no Minnesota, mas nunca o viram a usá-la.

A tensão no estado de Minnesota e os protestos aumentaram após a morte, em 07 de janeiro, de Renee Good, cidadã americana de 37 anos e mãe de três filhos, que foi baleada por um agente do ICE quando conduzia o seu veículo, embora o governo de Donald Trump a acuse de "terrorismo interno".

Além disso, a detenção de vários menores, entre eles uma criança de cinco anos que permanece detida com o pai num centro de detenção em San Antonio, Texas, aumentou a indignação de muitos cidadãos que acusam o ICE de abuso.

O presidente da Câmara de Minneapolis, Jacob Frey, o chefe da polícia local, Brian O'Hara, e o governador do Minnesota, o democrata Tim Walz, já pediram ao Presidente norte-americano para pôr fim às operações naquela cidade do Norte dos Estados Unidos.