António Filipe bebe ginjinha e diz que há boas práticas do actual Presidente a manter
Na reta final da campanha, o candidato presidencial António Filipe bebeu uma ginjinha na Baixa da Banheira, na Moita, porque há práticas do atual Presidente da República que "são para manter", como o contacto direto e a proximidade.
O candidato apoiado pelo PCP e PEV começou o último dia de campanha oficial com uma arruada na Baixa da Banheira onde, mais uma vez, ofereceu cravos vermelhos que, foi dizendo, quer ver regados no próximo domingo de eleições.
A meio parou num café para um brinde com ginjinha, a segunda desta campanha, depois do Barreiro. O brinde foi à Constituição, ao 25 de Abril e à candidatura.
À provocação sobre se há práticas do atual Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, que são para cumprir, afirmou "nem todas as práticas são más".
"Há praticas do atual presidente que são estimáveis. O contacto direto com as pessoas eu acho que sim, acho que o Presidente da República deve manter essa prática, a proximidade é importante. Mas que não seja só uma proximidade física e de afetos, seja uma proximidade ao conhecimento dos problemas, à compreensão dos problemas e à solidariedade para com a resolução dos problemas. Eu acho que essa proximidade é muito importante", afirmou António Filipe.
Antes já tinha dito que o dia não podia ter começado melhor.
"Não é só pela ginjinha, é sobretudo pela arruada. Estamos a avançar", afirmou, garantindo, no entanto, que não vai repetir o brinde ao longo do dia.
"Porque eu não sou um candidato de ziguezagues, diretinho desde o início da campanha. Aquilo que disse que ia ser a minha campanha, os meus propósitos nunca mudaram, a campanha foi sempre com um rumo certo, no sentido de garantir um bom resultado no próximo dia 18. Isso é que é importante, Apesar da ginja, vamos direitinhos ao nosso objetivo", sublinhou.
Antes daquele que foi o discurso mais curto desta campanha, por causa da intensa queda de chuva que, entretanto, ocorreu, António Filipe apontou a uma "adesão crescente" à sua candidatura, exemplificando com "iniciativas muito participadas".
"A campanha tem vindo a crescer, eu creio que isto me dá uma grande confiança de que, de facto, há muitas pessoas, muitos eleitores identificados com a necessidade de dar força a uma candidatura que não quer que tudo fique na mesma. Uma candidatura que quer um novo rumo para o país", frisou.
O ex-deputado comunista disse que "cada cidadão é dono do seu voto e vai exprimi-lo no domingo".
"E estou convencido que os trabalhadores, os reformados querem ter melhores pensões, os jovens que lutam contra as propinas e que se identificam com esta candidatura, eu creio que vão dar uma excelente resposta no próximo domingo", sublinhou.
Desafiado a um balanço da campanha, sublinhou que procurou fugir a "questões laterais e ao 'diz que diz' entre candidatos".
"Eu procurei fugir a isso o mais possível e centrar-me na afirmação dos valores da candidatura e a resposta que é preciso dar aos problemas reais e concretos das pessoas, porque só assim é que é possível mobilizar para o voto", defendeu, recusando-se a definir uma meta para o resultado de domingo porque os "cidadãos devem decidir sem condicionamentos".
Já depois, debaixo de chuva forte brincou com um "campanha molhada, campanha abençoada".
"Mas também não era preciso tanto (...) No domingo temos todos que ir votar para regar os cravos de Abril. Caros amigos, abriguem-se da chuva, até domingo nas eleições, vamos lutar por um bom resultado", referiu ainda.
Durante a arruada, foi distribuindo cravos vermelhos, ouviu desejos de boa sorte, entrou em lojas, abordou quem estava às janelas junto à rua e até atirou a flor símbolo da revolução de Abril para uma varanda onde espreitava uma mulher.
À tarde, cumpre a tradicional arruada do Chiado, em Lisboa, e fecha campanha com um jantar em Loures.